Em qualquer lugar do mundo, o ensino técnico de qualidade é valorizado. Técnicos de nível médio e com alto padrão de excelência são necessários para oportunizar emprego e renda para a população. Este tipo de ensino precisa ser expandido, já que a mão de obra do povo brasileiro possui pouca qualificação.
Infelizmente, essa política educacional tão importante não vem sendo aplicada no Pará. O governo de Simão Jatene demonstra descaso com o dinheiro público na medida em que abandona a construção de escolas tecnológicas em várias regiões do Estado, atravancando o desenvolvimento do Pará. O que o DIÁRIO viu em vários municípios foram obras inacabadas, esqueletos de prédios abandonados, roubo de material e muita frustração de moradores e, principalmente, estudantes.
SANTANA DO ARAGUAIA
Pelo menos seis mil jovens e adultos estão ansiosos pela reforma da escola tecnológica do município de Santana do Araguaia, que iniciaram em janeiro de 2010. Quase quatro anos depois e quase R$ 6 milhões de verba federal investidos, o prazo para entrega do prédio ainda é um mistério. “Queria essa escola funcionando. Não só para mim. A população inteira poderia ser beneficiada”, diz Michael Wilson, estudante.
Pelo projeto original, a escola deveria ter amplo auditório, salas de aula, ginásio poliesportivo, vestiários, refeitórios, biblioteca e área administrativa, tudo construído numa área de 15 mil metros quadrados no loteamento Carajás, próximo a um projeto habitacional. Do lado de fora do prédio ainda em construção, paredes inacabadas. No chão, estruturas de ferro corroídas pela ferrugem. Na parte de trás, o mato toma conta, entremeado por restos de materiais de construção.
BREVES
Na Escola Tecnológica de Breves, mais R$ 6 milhões foram aplicados numa obra inacabada, iniciada em outubro de 2010 e que já deveria estar beneficiando centenas de alunos em 12 salas de aula, laboratório, auditório, refeitório, ginásio coberto e até anfiteatro. Há mais de um ano, as obras foram paralisadas e o que se vê no local é um esqueleto mal acabado: nada do que foi prometido está pronto. Segundo o governo do Estado, 53% da obra já está pronta.
A obra inacabada é uma vergonha para a população do município e um desrespeito para quem precisa de educação pública no Marajó. De uma hora para outra, contam os moradores, a escola tecnológica foi deixada de lado e os trabalhadores finalizaram apenas uma penitenciária. Ainda segundo os moradores, muitos operários acabaram levando material de construção da obra da escola tecnológica.
Instada a dar uma posição sobre a questão, a 13ª Unidade Regional de Educação, que deveria fiscalizar a obra, preferiu manter silêncio. “A educação e a qualificação profissional é um dos pilares em qualquer sociedade, mas infelizmente no Pará, não. A nossa triste realidade é de um governo que prioriza um presídio e deixa uma escola tecnológica em ruínas”, lamenta um morador.
PARAUAPEBAS
O resultado da licitação para a construção da Escola Tecnológica de Parauapebas foi publicada no Diário Oficial do Estado em 13 de agosto de 2010. Mais de R$ 5,8 milhões foram liberados para a obra, que tinha prazo de execução de 360 dias. Da publicação até agora já se passaram mais de três anos. No terreno doado pela prefeitura de Parauapebas no lugar da construção da escola, que deveria ter 12 salas de aula, oito laboratórios e anfiteatro, o que se vê é muito mato e abandono. No local, apenas um vigia contratado pela empresa, que confirma a paralisação da obra há muito tempo.
A área em que deveria funcionar um centro de qualificação de jovens e adultos para o mercado de trabalho virou um cemitério de entulhos, com ferro enferrujado, equipamentos e material de construção no meio do matagal, tudo se deteriorando.Com o abandono, parte das paredes da escola está desabando. Entre os moradores, a revolta é geral. “Com esses mais de cinco milhões jogados aí daria para fazer muita coisa aqui, construir escolas e até hospital. É triste ver o descaso com o nosso dinheiro”, reclama um dos moradores das proximidades. Enquanto isso, as poucas escolas de Parauapebas são insuficientes para absorver os mais de 18 mil alunos da rede estadual.
(Diário do Pará)
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