O espírito natalino que aos poucos vai tomando conta da cidade levou muita gente à praça da República ontem. O local conhecido pela manifestação de diferentes públicos, ontem cedeu espaço apenas para o lazer. Brincadeiras, manifestações culturais, arte. Um encontro de todas as idades.
Integrantes da Igreja Assembleia de Deus, por exemplo, ocuparam um canto do espaço montando um palco. A programação especial era alusiva ao Dia da Bíblia, comemorado sempre no segundo domingo de dezembro. Bandas gospel, apresentação de crianças e distribuição de bíblias marcaram a manhã. “Vir pra rua e comemorar o dia da Bíblia na praça é uma forma de resgatar alguns valores que acabaram se perdendo ao longo dos anos”, disse o pastor Elivis Trindade da Assembleia de Deus localizada no bairro de Nazaré.
A menos de 100 metros dali outro grupo se reunia. Pelo menos oito jovens se divertiam com piruetas sobre obstáculos. “Todo domingo estamos aqui. O grupo é grande, não tá todo mundo, mas sempre tem alguém marcando presença”, justificou Gabriel Brito, 17 anos. “A praça é boa porque a gente aproveita as pedras e os coretos. Tendo coragem e vontade dá pra fazer”, completa Taylon Sidney Oliveira em referência ao ‘le parkour’ técnica em que os praticantes usam o corpo para passar obstáculo de uma forma rápida e fluente.
Com apenas três anos, Miguel Prestes acabou influenciado. Sob os olhos atentos do pai o pequeno tentava repetir os movimentos dos mais velhos saltando das pedras na praça. “Isso aí eles aprendem logo desde cedo”, descontraiu Álvaro Prestes.
Entre bolinhas de sabão, venda de artesanatos e comidas típicas, homens em luta pelo fim da violência contra a mulher também se destacavam. A passeata que saiu por volta das 9h hora da praça do Can, em Nazaré, e reuniu cerca de 500 homens de acordo com a organização terminou na praça com a apresentação de grupos de capoeira e da banda da Marinha.
Com um laço branco ao peito, o encontro lembrava a triste estatística que aponta uma morte feminina a cada cinco minutos no Brasil. “Participei da caminhada porque entendo que o maior agressor é mesmo o homem e dentro de casa. A gente até houve falar no combate contra essa violência, mas é sempre um movimento de mulheres. Achei importante essa dinâmica de os homens tomarem para si essa responsabilidade”, afirmou o professor Júlio Matos.
(Diário do Pará)
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