“Muita gente já morreu aqui debaixo dessa passarela”. Quando se trata de acidentes envolvendo pedestres na rodovia que tem o terceiro trecho mais perigoso do país, é impossível não atentar para a grande quantidade de pessoas que atravessam os primeiros quilômetros da BR-316 mesmo quando têm a opção de seguir pela passarela. Ainda que, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a incidência de mortes nos dez primeiros quilômetros da rodovia tenha diminuído, as duas mortes registradas no início desta semana evidenciam o perigo enfrentado por pedestres na rodovia. “Já perdi as contas de quantos acidentes já vi por aqui”, destaca o mototaxista Ronaldo Araújo.
De acordo com informações da PRF, com as duas mortes desta semana, já foram registrados onze óbitos nos dez primeiros quilômetros da BR-316, enquanto em todo o ano de 2012 foram 32 as mortes identificadas. Segundo a assessora de comunicação da PRF, inspetora Marisol Mota, a polícia mantém fiscalização constantemente no local. “Não somos mais o trecho de rodovia mais perigoso do país. Agora estamos atrás de Santa Catarina e Minas Gerais e estamos reduzindo o número de mortes”, afirmou. “Podemos perceber que houve uma queda vertiginosa no número de mortes e a fiscalização está sendo efetiva. Temos ronda 24h na BR”.
Segundo a inspetora, mais do que um problema de fiscalização, os acidentes envolvendo pedestres na rodovia estão muito ligados à falta de atenção dos que compõem o trânsito. Responsabilidade essa que não se restringe aos condutores dos veículos. “Os pedestres e ciclistas são tão responsáveis quanto os condutores. A lei seca não é só para quem dirige, é para quem utiliza a rodovia”, aponta, ao lembrar da grande incidência de acidentes causados por embriaguez não apenas dos condutores. “Depois a falta de atenção também é bastante preocupante. Há falta de consciência dos que utilizam a rodovia. Os dados provam que existe fiscalização, então, se respeitassem mais as sinalizações, se fossem mais prudentes, com certeza mais vidas seriam salvas”.
Pedestre
Acostumado a transitar pelo quilômetro 5 da BR, onde um homem de 65 anos foi atropelado por um carro no início da noite do último domingo, o vigilante Carlos Humberto já perdeu as contas de quantos acidentes já presenciou no local. Para ele, muitos também foram causados por imprudência dos próprios pedestres. “São muitos acidentes, eu já nem tenho mais conta de quantos já vi aqui. Hoje de manhã mesmo eu vi um com uma moto. As pessoas querem atravessar por aqui e só olham pros carros, caminhões, mas quando eles estão andando sai uma moto por entre os carros e a pessoa nem vê. Aí bate e a pessoa fica aí mesmo”, conta, sem deixar de lembrar que há uma passarela no local. “Aqui tem passarela, mas o povo não respeita. Nem tudo que é acidente é culpa do condutor. Às vezes a pessoa na pressa, na afobação de ir logo acaba não subindo na passarela e atravessa por aqui mesmo. Assim que acontecem os acidentes”.
Faixa
Ainda que na altura do quilômetro 8 a faixa de pedestre sinalize a necessidade de parada dos veículos diante do pedestre, também não são todos os condutores que respeitam as regras de trânsito.
“Nem sempre eles querem parar, mesmo tendo a faixa aí. Tem pedestre imprudente, mas tem motorista também. Mesmo atravessando na faixa tem que ser com atenção redobrada porque tem vezes que eles não param mesmo e ainda batem quem tá atravessando na faixa”, acredita. “Muitas vezes eles quase batem em quem tá atravessando nessa faixa. A gente fica até inseguro de atravessar”, comenta a universitária Juliana Guimarães.
(Diário do Pará)
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