Não é de hoje que mães discutem com opiniões contra e a favor do uso de andadores infantis para auxiliar nos primeiros passos dos filhos. A discussão virou recentemente alvo de ação civil pública, ajuizada pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), contra fabricantes do também popularmente conhecido “anda-já”. O pedido, aceito pela Justiça gaúcha, tornou então proibida a comercialização do produto em território nacional.
A SBP segue em campanha pelo banimento moral do produto. Ou seja, que a sociedade se convença de que andador é prejudicial à criança e, assim, pare de consumi-lo. Em agosto desse ano, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), testou dez marcas de andadores disponíveis no mercado brasileiro, de fabricação nacional e importada. O espantoso resultado, de repercussão nacional, foi de 100% de reprovação de todas as marcas. Isto inclui aquelas que já eram certificadas pela norma europeia vigente, usada pelo instituto nos testes, já que não há uma certificação brasileira. Essas marcas reprovadas representam hoje mais de 90% do mercado de andadores.
Comércio
Sem se identificar, o DIÁRIO percorreu algumas lojas que comercializam produtos da linha infantil. Em uma delas, especializada na venda exclusiva de produtos para crianças, o andador foi facilmente encontrado. O vendedor foi gentil e mostrou uma variedade de marcas. Os preços variavam de bem “em conta”, até um que chamava atenção por custar o dobro valor do primeiro. “Por que esse é tão caro?”, questionou a reportagem ao vendedor. “Porque é o mais famoso, da melhor marca”, explicou.
A reportagem perguntou ainda se estava prevista a chegada de mais peças do produto. Desconfiado, o vendedor desconversou e explicou: “Por enquanto não, mas temos mais no estoque, se você quiser eu mostro”, ofereceu sem explicar o motivo de não terem previsão de reposição de estoque.
Em mais três lojas de variedades, que também possuem um departamento infantil, já não encontramos mais andadores. Questionados, os vendedores alegavam falta nos estoques, mas em nenhum momento explicavam o motivo. Um deles até garantiu: “Acho que deve estar chegando ainda esse mês”.
Providências
Após o insucesso dos testes nos andadores, o Inmetro solicitou à Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) a elaboração de normas para o aparelho. Depois de concluídas, provavelmente no final de 2014, o órgão vai criar um selo de qualidade que será exigido dos fabricantes para que os andadores possam ser comercializados.
De acordo com o instituto, requisitos como travas para evitar tombos e um manual com informações sobre montagem e uso seguro dos andadores estarão contemplados no regulamento. A certificação integra as ações do instituto para segurança infantil, que ainda lidera o ranking de relatos do Banco Nacional de Dados de Acidentes de Consumo, com 14% dos casos. Itens como brinquedos, cadeirinhas de automóvel, mamadeiras, chupetas, carrinhos de bebê, cadeira alta para alimentação e berços são alguns produtos já certificados pelo Inmetro e que só podem ser comercializados no Brasil com selo de qualidade.
(Diário do Pará)
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