Apesar da grande eficácia na prevenção e diagnóstico para o tratamento de diversas doenças, seja uma simples gastrite ou até hemorragias e tumores em seu estado inicial, a endoscopia digestiva ainda é vista com receio e até certo temor pela população. O médico gastroenterologista paulistano Gustavo Andrade de Paulo diz que o medo de sentir dores ainda é o que leva pacientes a adiarem ou desistirem de realizar o procedimento. A Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed) alerta para a importância do exame, que garante diagnósticos de doenças do aparelho digestivo e até antecipa o tratamento de cânceres em estado inicial.
A estudante Dayane Lima, 18 anos, precisou realizar uma endoscopia após suspeitar de que teria adquirido uma gastrite - inflamação no estômago. Ela contou que, depois de sedada, não lembra nada do exame e não sentiu nenhuma dor, pois a anestesia fez com que ela adormecesse. Já nos momentos em que os efeitos iam passando, Dayane disse que a reação foi tão forte que fez com que ela não reconhecesse nem mesmo as pessoas ao seu redor. A jovem ainda contou que sentiu dores na garganta após o exame. “Eu achei bom porque não senti nada, nem vi o exame. O ruim mesmo foi depois, as dores. Mas, fora isso, foi tudo tranquilo”, contou.
Porém, o doutor Gustavo esclarece que são raros os casos em que o paciente sente dores depois do exame. “O normal é dor ‘zero’. O que varia de paciente para paciente é a reação aos efeitos da anestesia. Uns são mais sensíveis e demoram mais tempo para voltar ao normal, mas em média o efeito dura no máximo meia hora”, explicou.
Olhar para dentro
A palavra endoscopia significa olhar dentro do paciente. Sob sedação, o paciente é examinado com um aparelho chamado endoscópio, que penetra o canal gastrointestinal para visualizar possíveis enfermidades no esôfago, estômago, duodeno e, ainda, verificar alterações na mucosa.
Andrade explica que só um profissional com registro na Sobed está autorizado a realizar esse procedimento, mas que qualquer pessoa está apta a passar por ele. A exceção são pacientes que possam ter algum tipo de complicações, como úlcera perfurada ou por infarto recente.
Quando se detecta qualquer alteração no exame, é feita a retirada de amostras para que sejam encaminhadas para biópsia. Com o passar do tempo, os aparelhos de endoscopia só evoluem. “Hoje em dia você pode contar com aparelhos muito modernos, que oferecem imagens em alta definição, precisão no zoom e diversas melhorias”, avalia o médico.
Um exame de endoscopia pode ser solicitado a alguém que esteja sentindo sintomas de gastrite, como dor, sangramento pela boca ou pelo ânus, emagrecimento, etc.
O exame tem duração de dez minutos. A recuperação dos efeitos da anestesia dura no máximo 30 minutos, dependendo da sensibilidade do paciente.
(Diário do Pará)
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