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OAB diz que PMs integram grupos de extermínio

Os Conselhos Federal e Estadual do Pará da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) receberam ontem, da Procuradoria Geral da República, a garantia de apoio total ao trabalho de uma força tarefa que terá o objetivo de combater a criminalidade no Estado. Ao dar

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Os Conselhos Federal e Estadual do Pará da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) receberam ontem, da Procuradoria Geral da República, a garantia de apoio total ao trabalho de uma força tarefa que terá o objetivo de combater a criminalidade no Estado. Ao dar a informação, num intervalo da sessão conjunta realizada na sede da própria entidade, o presidente da OAB Pará, Jarbas Vasconcelos, criticou duramente o governo do Estado e fez gravíssimas denúncias que têm relação de causa e efeito com o descumprimento da lei penal e com a violência que hoje aterroriza a população paraense.

Duas revelações feitas por Jarbas Vasconcelos, em especial, deixaram chocados os dirigentes nacionais da OAB que ontem estiveram em Belém e também o público que prestigiou a sessão - conselheiros da ordem, membros de comissões da própria OAB e familiares de advogados assassinados por pistoleiros no Pará nestes últimos tempos, entre eles a mãe (Rosa, de 88 anos) e dois irmãos do advogado Jorge Pimentel, executado no dia 2 de março deste ano em Tomé-Açu, e a mãe (Jacira Teles dos Santos) do também advogado Fábio Teles, morto por pistoleiros na cidade de Cametá na noite de 21 de julho de 2011.

Segundo Jarbas Vasconcelos, há hoje o envolvimento de policiais militares em grupos de extermínio que estão agindo principalmente nas regiões sul e sudeste do Estado, mas cujas ações se espalham por praticamente todo o Pará. Prova disso, assinalou o presidente da OAB, são os casos recentes de advogados assassinados em Belém, Castanhal, Cametá, Tomé-Açu e Parauapebas. “Nós já tivemos colegas metralhados na Alça Viária, próximo a Belém. Ou seja, nós temos assassinatos e ameaças contra a vida de advogados na capital e no interior”.

Jarbas disse haver conversado com diversos oficiais em postos de comando de unidades da Polícia Militar e ouvido desses comandantes palavras de temor e até de incapacidade para reagir à situação. “A verdade tem que ser dita. Os comandantes da Polícia Militar têm medo de enfrentar os grupos de extermínio da própria Polícia Militar”, disse ele.

Contexto grave

Essa situação excepcionalmente grave foi que levou o procurador geral da República, Rodrigo Janot, que também preside o Conselho Nacional do Ministério Público, a colocar à disposição do Ministério Público do Pará toda a sua estrutura de inteligência para ajudar a combater a criminalidade no Estado. “Nós temos hoje um crime tão grande e poderoso que até parte da nossa força de segurança se torna também, ela própria, bandida”.

A existência de 230 mil mandados criminais que até hoje não foram cumpridos no Pará foi a outra informação tornada pública por Jarbas Vasconcelos, que foi recebida com espanto pelo público que compareceu ontem à OAB. “Isso é um escândalo”, criticou.

(Diário do Pará)

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