O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgou ontem os dados das Estatísticas do Registro Civil em 2012 que confirmam que o Pará foi campeão de mortes violentas no ano passado.
Proporcionalmente ao número de óbitos, os registros mostram que, de 29.172 mortes, 14,4% foram de forma violenta, ou um total de 4.335, na maioria homens (3.726 mortes contra 609 mulheres). De acordo com o IBGE, os dados sobre óbitos chamam a atenção para o excesso de mortes por causas externas ou violentas, que, no Brasil, representam o terceiro maior grupo de causa de mortes na população em geral.Entre os jovens de 15 a 24 anos, é o primeiro, sobretudo para homens. Em 2012, o percentual atingiu 10,2%, acima dos 9,6% de 201. Em 2012, a mortalidade masculina se manteve maior em alguns grupos etários, principalmente os de 15 a 19 anos e de 20 a 24 anos, nos quais a proporção de óbitos masculinos em relação aos femininos superou 4 para 1, especialmente devido às mortes violentas ou acidentais.
Sergipe (80,7%), Bahia (78,3%) e Alagoas (77,7%) têm as proporções mais altas de mortes violentas entre jovens de 15 a 24 anos de idade do sexo masculino, mas a maior parte dos estados brasileiros também mostra percentuais
elevados.
SEM REGISTRO
A pesquisa mostrou também dados sobre a “população invisível” brasileira, ou seja, crianças espalhadas por todo o Brasil cujo nascimento não foi registrado pelos pais até um ano após o nascimento. De acordo com o IBGE, em 2012, 187 mil crianças, de um total de 2,8 milhões nascidas, continuavam sem existir para a sociedade e o Estado brasileiro. O Pará continua sendo a unidade federativa onde menos registros são feitos. Um total de 27,2% das 123.661 crianças nascidas em 2012 não teve registro.
A pesquisa divulgada ontem confirma o que já havia sido detectado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que apresentou um relatório no início de dezembro mostrando que, no Brasil, 600 mil crianças são invisíveis, a maioria – 400 mil - no Norte e Nordeste.
SEM DIREITOS
No Pará, seriam cerca de 80.829 crianças com até 5 anos de idade sem certidão de nascimento. Com isso, elas não podem frequentar escolas, não têm acesso à saúde pública e não conseguem benefícios sociais, como o Bolsa Família.
Mas para o IBGE, o que é chamado de sub-registro de crianças está caindo a cada ano. Embora, segundo o instituto, ainda se mantenham diferenças regionais marcantes. Em 2002, 26,3% dos nascimentos no Brasil não eram legalizados nos cartórios. Esse índice baixou para 10,2% em 2007 e cedeu gradualmente desde então.
O recuo da falta de identificação das crianças é fruto, segundo o IBGE, de uma política de estímulo ao registro. Um dos passos mais importantes foi torná-lo gratuito em todos os cartórios do país na década
passada.
(Diário do Pará)
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