O Hospital de Pronto Socorro Municipal Mário Pinotti, na travessa 14 de março, passou por uma nova fiscalização do Conselho Regional de Enfermagem (Coren) e do Ministério Público Federal, na manhã de ontem, para avaliar e identificar se foram feitas melhorias no hospital desde a última visita ainda em setembro deste ano. Outra fiscalização mais aprofundada deve ocorrer no próximo dia 26 antes que seja elaborado outro relatório.
De acordo com o presidente do Coren, Mário Antônio Vieira Filho, algumas das irregularidades constatadas ainda em setembro continuam sem solução. “Há três aparelhos de raio-x no hospital e apenas um está funcionando. Observamos ainda que não há climatização em alguns locais e que, ainda neste momento, há ausência de alguns medicamentos, ainda contamos com pouco material de esterilização”, explicou. “Vamos fazer outras visita no dia 26 pela manhã e à tarde para ver as minúcias, e checar item por item em cima das não conformidades observadas ainda em setembro”, completou.
Melhorias
Segundo Mário Antônio, algumas mudanças também foram constadas. No entanto, há denúncias de que as alterações sejam, na verdade, uma ‘maquiagem’ superficial em cima dos problemas. “A central de materiais de esterilização, que antes não tinha, agora já tem. Já vimos as alas melhor climatizadas e observamos que muitas coisas não dão condições de serem feitas sem uma reforma. O gestor ficou de mandar um documento solicitando essa reforma”, apontou. “Mas existiam muitas denúncias de que estariam maquiando essas melhorias e, no dia 26, nós vamos voltar para avaliar mais a fundo”.
A tentativa de disfarçar os problemas do hospital com soluções não definitivas é claramente perceptível para a presidente da Associação dos Servidores de Saúde do Município de Belém, Rosana Oliveira. “A ‘maquiagem’ é visível a ‘olho nu’. O hospital está sendo ‘maquiado’ com uma pintura da pior qualidade e o que o hospital precisa não é disso. Está faltando medicamento no PSM, antibióticos básicos que deveriam ter aqui”, afirmou, ao denunciar a postura do PSM diante dos órgãos. “Quero também denunciar a chefia de rouparia que disse que não está faltando lençóis, sendo que não tem suficiente para todo mundo e que ainda colocou a culpa no usuário, dizendo que eles é que não querem usar os lençóis”.
Agora, de acordo com Mário Antônio, o Ministério Público Federal depende de novos documentos que apontem a situação do hospital após a primeira notificação para a tomada de providências.
Resposta da Sesma
Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) respondeu em nota que já está tomando medidas para resolver os problemas encontrados no Pronto Socorro Mário Pinotti. “Em relação à falta de medicamentos, a Sesma informa que as empresas que ganharam o processo licitatório já estão fazendo as entregas e a reposição de estoque”.
A Sesma negou a falta de funcionamento dos aparelhos raio-x do hospital.
Sobre a falta de lençóis, a Sesma esclareceu que “a rouparia do hospital funciona 24 horas e as trocas nos leitos são feitas diariamente, exceto nas vezes em que o paciente necessita de mais de uma troca, e nesse caso isso é feito quantas vezes forem necessárias”.
Em relação às providências tomadas a respeito das irregularidades constatadas na visita dos órgãos fiscalizadores em setembro, a Secretaria afirmou já ter iniciado “mudanças através de reformas graduais”. No documento, a Sesma destaca o processo de revitalização na porta de entrada do hospital e a reforma de três enfermarias”.
(Diário do Pará)
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