Hoje colocado em posição intermediária – em 12º lugar – no ranking do Produto Interno Bruto entre todos os Estados brasileiros, o Pará poderia estar ocupando um patamar mais elevado e compatível, sob os mais diferentes aspectos, com as suas extraordinárias potencialidades. Esse é o ponto de vista dos principais dirigentes empresariais do Estado, para os quais o setor produtivo continua enfrentando, aqui, algumas dificuldades que já deixaram de existir ou existem apenas residualmente em outras regiões do Brasil.
Os resultados do Produto Interno Bruto de 2011, divulgados recentemente pelo Idesp, refletem, em números, as muitas distorções ainda existentes na economia do Pará e as dificuldades delas decorrentes para o crescimento da produção estadual. Ao se analisar, por exemplo, as atividades e os setores econômicos, percebe-se que, no cálculo do PIB para os então 143 municípios do Pará, medido pelo valor adicionado, o setor de serviços foi o mais representativo em 126, vindo em segundo lugar, mas muito distante, a indústria em 12 e, em terceiro (e último), a agropecuária como a atividade econômica mais representativa em apenas cinco municípios.
Entre as atividades do setor de serviços, o comércio, a administração pública e os transportes foram as atividades que mais contribuíram para a composição do ranking. Na relação dos dez maiores em valor adicionado do setor, os municípios de Belém, Ananindeua, Marabá e Castanhal apresentaram o comércio como a principal atividade econômica. Em Parauapebas, a atividade que mais contribuiu para o setor de serviços foi a de transportes. Já nos demais municípios, entre os dez maiores, a administração pública foi a atividade predominante.
Quanto ao valor adicionado (VA) de 2011 da indústria distribuído entre os municípios, de acordo com os números levantados pelo Idesp, observa-se maior concentração entre os setores econômicos. As indústrias extrativa e de construção civil foram as atividades que mais contribuíram para a composição do ranking. Entre os dez primeiros municípios no valor adicionado da indústria, seis – Parauapebas, Canaã dos Carajás, Oriximiná, Paragominas, Ourilândia do Norte e Breu Branco - apresentaram como principal atividade industrial a extração mineral, que contribuiu com mais da metade do VA do setor.
Em Barcarena e Marabá, municípios com reconhecida vocação industrial, a atividade predominante foi a indústria de transformação, enquanto a construção civil pontificou como a principal atividade nos municípios de Belém e Ananindeua. Já em Tucuruí, por razões óbvias, a atividade industrial em destaque foi a produção e distribuição de energia elétrica, título que dentro de poucos anos ela estará disputando com o município de Vitória do Xingu, onde está sendo construída a hidrelétrica de Belo Monte.
No ranking dos dez maiores municípios em valor adicionado do setor de serviços do Pará em 2011, Belém e Ananindeua tiveram peso hegemônico, com participação conjunta de mais de 40%. Foram 33,56% de Belém e 6,60% de Ananindeua, as duas cidades que concentram também a maior parte dos serviços de intermediação financeira no Estado. No ranking do setor industrial, as grandes estrelas foram Parauapebas (49,97%), Canaã dos Carajás (7,52%) e Belém (7,32%). Já no setor agropecuário, os destaques foram São Félix do Xingu, Santarém, Paragominas, Novo Repartimento e Altamira.
Setor mineral deve crescer
Para o presidente da Federação das Indústrias do Pará (Fiepa), José Conrado Azevedo Santos, a participação da indústria mineral – extrativa e de transformação – na economia do Pará deve continuar crescendo ainda no ano de 2014. “O cenário que nós temos é esse. A indústria mineral deve continuar se intensificando, entre outras razões pelo emprego de novas tecnologias e de processos de extração mais sofisticados”, afirmou José Conrado.
O presidente da Fiepa ressaltou, contudo, que há hoje boas perspectivas para o crescimento, também, de outros segmentos da indústria, visto que o Pará começa a ser visto com mais interesse por empresas estabelecidas em outros Estados. Entre essas empresas, figuram algumas que já têm sólidos laços comerciais com o Pará, já que vendem aqui boa parte de sua produção. Essas empresas, segundo José Conrado, terão vantagens comparativas importantes caso decidam se instalar aqui, já que poderão tirar proveito da proximidade do processo de produção e com isso reduziram os custos de logística.
Isso, acrescentou, em que pese o fato de continuarmos enfrentando algumas dificuldades. Uma delas, segundo José Conrado, é a questão dos incentivos fiscais. Outra, a demora e o trâmite excessivamente burocrático dos processos de licenciamento. “De quer forma, reitero que há hoje no meio empresarial um otimismo muito grande”, disse o presidente da Fiepa.
Gargalos contra o crescimento
O Pará já poderia ser hoje, se não o mais rico, pelo menos um dos mais ricos Estados do Brasil. Ao externar esse ponto de vista, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará, Carlos Fernandes Xavier, aponta os muitos gargalos que continuam asfixiando a economia paraense e causando embaraços ao setor produtivo. Entre eles, cita a questão dos licenciamentos ambientais, as limitações de crédito, a desorganização fundiária e as manobras de setores que, no dizer dele, “vivem de criar dificuldades para vender facilidades”.
Carlos Xavier lembra o caso de São Félix do Xingu, que lidera o ranking dos municípios do Pará em valor adicionado no setor agropecuário. Para o presidente da Faepa, não há nisso nenhuma surpresa, já que São Félix do Xingu, além de ser o segundo maior município do mundo em extensão territorial é também detentor do maior rebanho bovino do planeta, com quase dois milhões de cabeças, o equivalente a cerca de 10% de todo o rebanho paraense.
As posições de destaque alcançadas também por Santarém e Paragominas, conforme frisou, são igualmente compreensíveis. “Se o Pará soubesse aproveitar seu imenso potencial, a produção do Estado poderia contribuir para uma transformação social profunda”, afirmou Carlos Xavier, acrescentando que o Pará poderia estar produzindo hoje muito mais do que na verdade produz e estaria apto.
(Diário do Pará)
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