Os muitos anúncios de novos empreendimentos não deixam dúvida do crescimento da cidade em direção à avenida Augusto Montenegro que, além de diversos condomínios, já abriga um shopping, grandes supermrecados e muitos comércios da cidade.
O que não tem acompanhado as perspectivas imobiliárias, porém, é a estrutura da avenida. Marcada pela ausência de sinalização e de estrutura física para acolher a grande quantidade veículos, ciclistas e de pessoas que circulam pelo local diariamente.
A ausência de qualquer manutenção da sinalização de trânsito no local é evidente. Desde o início da avenida, a partir do Entroncamento, a sinalização horizontal é totalmente inexistente. Diante do asfalto repleto de remendos e sem qualquer pintura, não é possível identificar onde estão as faixas e o que é acostamento.
Sem que seja uma exceção, o que resta da faixa de pedestre existente na Augusto Montenegro à altura da Rua José Monteiro são apenas marcas quase apagadas. Sem que a sinalização consiga ser vista de primeira pelos condutores que trafegam na avenida, o único pedaço ainda visível deixa clara a falta de manutenção.
Pedestre frequente do local, o vigilante Ricardo Melo é obrigado a conviver com a ausência de sinalização adequada no local. “É complicado andar aqui, viu? As faixas estão todas apagadas, aqui é uma parada de ônibus também e não tem sinalização nenhuma. Aqui, quem não conhece não sabe que é parada”, desabafa, à espera do coletivo. “Há muito tempo que essa Augusto Montenegro é abandonada. Com tanta coisa sendo construída para cá, deveriam dar mais atenção pra essa rua aqui”.
Mais à frente, o problema que se estende por toda a avenida que corta, pelo menos, seis bairros de Belém se repete. Bem em frente a uma escola de idiomas e a um condomínio residencial e bem próxima a uma loja de importados, mais uma vez, a faixa de pedestre sinalizada tempos atrás já é quase imperceptível.
Passados vários minutos em cima do canteiro central da avenida para conseguir atravessar com o filho Abidiel, de seis anos, a professora particular Rosária Monteiro teme pela própria segurança. “A gente fica até com receio de atravessar porque é muito perigoso. A gente corre risco o tempo todo porque temos que contar com a boa vontade dos motoristas para atravessar”, revela. “É complicado demais atravessar com essa faixa toda apagada. Antes, quando ela era mais visível, a gente atravessava com mais facilidade”.
Rodovia é muito perigosa para pedestres
Ainda que a ausência de sinalização horizontal chame atenção, as condições das placas de trânsito também são preocupantes. No cruzamento da Augusto Montenegro com a Avenida Independência, a placa que identifica o limite de velocidade está tão torta, que não permite a leitura do condutor que segue na avenida.
Em frente a um órgão do governo, a Secretaria de Estado de Saúde (Seduc), outra placa com defeito identifica a existência de travessia de pedestres sem que haja uma faixa de pedestre no chão. Ao longo de toda a avenida, não são poucas as placas que também ficam encobertas pelos galhos das árvores. “É muito mal sinalizado”, comenta o motorista José Ramos.
Um dos maiores indicadores de crescimento imobiliário na avenida nos últimos anos, o shopping instalado no local e a falta de planejamento no seu entorno também são marcas da ausência de estrutura. Sem que haja qualquer passarela, faixa de pedestre ou semáforo – o semáforo mais próximo fica a, aproximadamente, 150 metros do local - que dê conta da grande quantidade de pessoas que desembarcam na parada em frente ao shopping, do outro lado da rua, os pedestres são obrigados a atravessar entre os carros, sem segurança. “Há vinte anos eu moro aqui e sempre foi assim, abandonado. Agora que ficou pior com o aumento de carros por aqui”, aponta a dona de casa Rose Oliveira. “Aqui o perigo é constante”.
Procurada pelo DIÁRIO, a Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob) diz que no próximo dia 26 será realizada audiência pública tendo como tema o trecho do BRT na Augusto Montenegro e logo em seguida o projeto será licitado. Para a Semob, “qualquer investimento maciço para sinalização na área seria desperdício de dinheiro público, haja vista que a via entrará em obras já no início de 2014”.
A Semob também diz que “a despeito disso, para garantir a segurança de condutores e pedestres, os pontos considerados mais críticos foram sinalizados, tais como faixas de pedestre em frente a escolas, na entrada do Tapanã, Agulha, conjunto Tapajós, entorno do Parque Shopping e entorno dos radares”.
(Diário do Pará)
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