Chuva é uma característica de Belém. Mesmo assim, cada vez que cai com mais intensidade, os alagamentos e os transtornos causados chegam às ruas e invadem as casas. É assim na passagem Acatauassu Nunes com a travessa Mariz e Barros. Na tarde de ontem não foi diferente. “Queria que os governantes olhassem pela baixada”, diz indignado o comerciante José Lima, 41.
A loja onde trabalha teve que ser fechada, para evitar que mais água suja inundasse o piso levantado pela terceira vez e causasse mais prejuízos. “Quando chove a gente não pode se locomover. A criança não pode ir pra escola, a gente não tem como sair de casa. Os governantes não olham pra nós, pro povo da periferia”.
Ilhados, a esperança é que a água empossada seque o mais rápido possível. “O pior é que essa água vai ficar por um ou dias ainda. Não tem por onde escorrer”, conforma-se a dona de casa Aliliane Santos Figueiredo, 27. Grávida de quatro meses, ela equilibrou- se pela proteção de concreto do canal da travessa Vileta, na tentativa de evitar a água suja do canal transbordado, na rua alagada.
“Não tem como andar pela rua, eu ia caindo duas vezes por ali”, reclama. Com o cabo da sombrinha, empurrou para a rua as sacolas de lixo na beira do canal, que impediam a passagem do filho de 7 anos. “Tá horrível esse negócio. Tive que tirar o lixo do caminho senão ele caia”.
Esperto, o menino rapidamente cruzou o canal. “Eu queria morar numa rua boa”, sonha a criança enquanto a mãe fica preocupada com as doenças que o contato com a água contaminada pode trazer. Ela diz que as coisas costumam ser piores. “Tem dias que chove muito forte e a água bate na cintura”, lembra.
João Paulo II
Na avenida João Paulo II com a passagem Gaspar Dutra, crianças corriam atrás de carros que perderam as placas no alagamento. Os meninos brincavam e arriscavam-se na “piscina” formada pela água da chuva. A dimensão era tanta que muitos motoristas desistiram de encarar o ponto de alagamento e deram meia volta. Os que seguiam em frente, nem sempre tinham sorte.
Um veículo teve que ser empurrado pelas crianças. Mais à frente, a fumaça saía do motor, mesmo assim o motorista conseguiu deixar o lugar. Os meninos voltavam a atenção para os condutores que ainda podiam deixar algumas moedas pelas placas recuperadas.
(Diário do Pará)
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