Basta uma rápida circulada em alguns bairros do centro de Belém. Independente da hora do dia, o martírio é sempre o mesmo. Parados em fila dupla e com o pisca alerta ligado, não são poucos os que esperam a primeira oportunidade para acomodar o carro nas vagas completamente tomadas já às 10h.
Com uma frota atual de mais de 356 mil veículos e a perspectiva de que esse número aumente para 1,3 milhão até 2022, não é difícil imaginar que falte onde se estacionar na capital paraense.
Ainda que algumas vagas sejam disponibilizadas em pontos específicos da avenida 25 de Setembro, não é difícil identificar a alternativa encontrada pelos motoristas para a quantidade insuficiente de locais para estacionar. Sem cerimônia, os carros sobem nas calçadas e se abrigam, muitas vezes, debaixo das árvores do canteiro central da avenida.
Diante do espaço ocioso, está formado o estacionamento improvisado, ainda que a solução prejudique a circulação dos pedestres. “É normal isso aqui em Belém. O pedestre é que tem que escapar dos carros. Não tem estacionamento pra todo mundo, eles param onde der e o pedestre é que se vire”, desabafa a professora Eliana Lima, logo após ser obrigada a desviar do veículo estacionado na calçada. “Tem muito carro em Belém e não organizam uma infraestrutura adequada pra que eles tenham onde parar”.
Sem que o planejamento de trânsito seja sua especialidade, da rotina observada nas ruas todos os dias, Eliana prevê, sem grande esforço, alternativas para o problema. “Aqui mesmo (na 25 de Setembro) tem um espaço que não é usado pra nada e que poderia ser organizado para ser estacionamento”, acredita. “Tem muitos espaços ociosos em Belém que poderiam transformar em estacionamento público ou pelo menos diminuir pra criar algumas vagas”.
Na travessa Mariz e Barros, entre as avenidas Almirante Barroso e 25 de Setembro, o problema se repete. Com carros estacionados em toda a extensão da via e nos dois lados, há quem improvise estacionando na calçada lateral do prédio do Instituto Federal do Pará (IFPA). Na avenida João Paulo II, a ciclofaixa foi usada como estacionamento por quem precisou estacionar a moto.
Já no bairro de Canudos, na travessa Guerra Passos, mais pedestres precisam transitar pela rua quando a calçada é completamente tomada pelos veículos estacionados. “Isso acontece muito nas vilas de Belém e a gente é que tem que andar na rua, igual agora”, reclamou o auxiliar de manutenção, Kelvi Franco. “Se houvesse uma faixa apropriada pra estacionarem, não chegaria esse problema. Além de prejudicar o pedestre, às vezes até o trânsito engarrafa porque eles param no meio da rua, não querem saber”.
Vagas
Ainda que a solução apontada por Kelvi esteja presente na avenida Conselheiro Furtado, as vagas disponíveis não são suficientes. Com o lado esquerdo da avenida totalmente tomado pelos carros estacionados e ainda que a pintura no asfalto sinalize a proibição, muitos acabam parando os veículos no lado direito também.
No bairro da Cidade Velha, onde as dificuldades de estacionamento se tornam ainda maiores em decorrência da concentração de órgãos públicos, são várias as ruas onde se identifica a presença de carros estacionados em locais proibidos.
Com os estacionamentos particulares já lotados, ainda que ofereçam preços que variem de R$3 a R$5 por hora, nas ruas estreitas como a Cametá, as calçadas também são sempre usadas como solução para o problema de motoristas. “A gente tem que andar fazendo ‘zig-zag’ pra desviar. Ninguém respeita nada no trânsito, o poder público não faz nada e a gente é que pena”, comenta a professora aposentada Maria das Graças Souza.
Parado em fila dupla em frente ao hospital onde a mãe faz tratamento, o promotor de vendas Felipe não esconde estar errado, mas reclama da ausência de um planejamento para o trânsito. “Eu sempre tenho que ficar rodando, rodando e não consigo lugar onde estacionar. A gente roda tanto que acaba parando em fila dupla e ficando no carro pra esperar”.
Maior causa de infrações no trânsito
A Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob) afirmou que a falta de vagas para estacionamento em vias públicas de Belém é fruto não da falta de opções, que são muitas, mas da cada vez mais crescente frota de veículos particulares e do mau hábito dos condutores paraenses de só buscarem estacionamentos localizados na porta de seus destinos finais.
Diante deste quadro, comum às grandes capitais brasileiras, a Prefeitura Municipal de Belém vem estudando alternativas, tais como investimento em estacionamentos públicos, Zona Azul em locais de alta rotatividade e estímulo a construção de estacionamentos privados, opções que deverão estar em funcionamento a partir de 2014.
Quem estaciona em local proibido é notificado segundo as regras do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que, de acordo com a infração, prevê multas e até a remoção do veículo.
Só de janeiro a julho deste ano, a Semob já notificou 26.303 condutores por estacionamento em desacordo com alguma das regras previstas no CTB e esta soma confere às infrações de estacionamento o status de maior causa de infrações em Belém.
(Diário do Pará)
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