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Festa é para reunir e renovar a família

A casa já está enfeitada, o cardápio escolhido e os presentes debaixo de uma árvore brilhosa no centro da sala. Estes toques anunciam o momento mais esperado. Rever os familiares e os amigos que muitas vezes passam o ano inteiro longe, não tem preço para

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A casa já está enfeitada, o cardápio escolhido e os presentes debaixo de uma árvore brilhosa no centro da sala. Estes toques anunciam o momento mais esperado. Rever os familiares e os amigos que muitas vezes passam o ano inteiro longe, não tem preço para o casal de aposentados Lecy Silva, 78, e Wilson Silva, 81. Há sessenta anos, tempo em que construíram um lar juntos, o natal para eles é a oportunidade de juntar os nove filhos, vinte e três netos e treze bisnetos. Momento ímpar que atrai também união, alegria e paz para todos que nasceram e cresceram no bairro do Jurunas, em Belém.

A vida moderna de tantos compromissos, trabalho e estudos acaba afastando a maioria das famílias, mas Lecy e Wilson não abrem mão de reunir todos os parentes e agregados no tradicional almoço do dia de natal, pois para eles é muito precioso. “É sempre muito bom reunir a família. Época de esperança que envolve a todos nós e momento de pensar em Deus”, avalia o patriarca. “É uma festa de mudança de vida, para nos perdoar e nos confraternizar. É o nascimento de Cristo que veio nos dar vida eterna. E tudo isso fecha com a graça de Deus e é esse Deus que temos que agradecer”, acredita Lecy.

Um dos filhos do casal, Ivo Paes, explica que a família é bastante católica, por isso, o Natal começa lá no mês de outubro. “Com o cheiro da maniçoba, cheiro de acolhimento”. “Somos muito unidos e mesmo vivendo um pouco longe um dos outros, sempre buscamos estar juntos. A gente preza por isso”, afirma. Além dos filhos, netos e bisnetos, os “agregados” -como as esposas e as namoradas dos netos - torna o grupo no almoço natalino ainda mais numeroso.

Segundo Ivo, há todo um ritual antes e depois do momento da fartura. Para ele, a oração é o que realmente atrai nessa época para a casa dos pais. “Uma hora antes do almoço, a gente se reúne em volta da mesa, fazemos uma retrospectiva do ano, compartilhamos algumas histórias que vivemos, pedimos perdão se for preciso, e claro, rezamos em agradecimento a tudo que vivemos”, detalha.

Para que a ceia de natal seja completa, Lecy revela que não pode faltar no almoço, além do peru, farofa e panetone, são os 10 litros de açaí e farinha. “Nessa época sou a mãe cozinheira. Conto com a ajuda de alguns filhos e netos”. “É muita alegria, quando meus filhos vêm pra cá. Mesmo que no outro dia eu esteja cansada, mas isso vale a pena”, explica.

NATAL COM DEUS

A estudante de jornalismo, Paula Moura, 26, acredita que o natal é o momento de refletir o ano que passou, fazer um balanço daquilo que foi positivo e negativo. Ela que procura estar todos os anos, na virada do dia 24 para o dia 25 e também no almoço de natal com a mãe e a irmã, que são sua família, pensa que essa tradição infelizmente para “alguns já perdeu o sentido da época, porém, o mais importante é buscar ser uma pessoa melhor. Entre ter razão e ser feliz, eu prefiro ser feliz. Ao invés de brigar, sempre dá tempo de parar e pensar”, diz.

O verdadeiro sentido do natal cristão significa o nascimento de Jesus, o pacto de graça, amor e misericórdia entre Deus e os homens.

Para religiões Natal é renascer

De acordo com o pastor adventista, Pedro Guedelha, o período natalino é o momento de ressaltar Jesus. Ele explica que ao nascer, Cristo proporcionou um caminho promissor e deu oportunidade de um reencontro com Deus. “Temos os profetas que antes mesmo de Jesus nascer, revelaram as características e a missão do Salvador”, conta. “A gente crê que o sentido da árvore de Natal é social, de depósito para ajudar ao próximo”, acrescenta.

A religião Afro – Brasileira entende o dia 25 de dezembro como o aniversário de Oxalaguian, conhecido como Oxalá-Moço. Segundo o presidente do Conselho de Ritual da União Religiosa dos Cultos Umbandistas e Afros Brasileiros do Pará, Orlando Bassu, a data é comemorada aqui em Belém há mais de 53 anos e hoje agrega quase 300 pessoas na crença divididas em mais de 20 filiais. São três dias de oferendas com flores e frutas regionais à entidade relacionada à fartura.

De acordo com o babalorichá, a Casa do Santo localizada no Guamá, durante os dias que antecedem a quarta-feira, são feitos rituais em homenagem ao santo. Amanhã, as oferendas são levadas até uma floresta na Ilha de Mosqueiro, onde são feitas outras comemorações. “A gente reza por quase duas horas por todas as famílias. Pedimos que o Oxalaguian dê força e proteção no próximo ano. Ele é o Oxalá da fartura, possui grande relacionamento com Oxossi, divindade provedora dos alimentos”. A doutrina Espírita não tem nenhum ritual, pois entende que o sentido do Natal é o nascimento de Jesus para mudar a vida das pessoas. A presidente da União Espírita, Najda Santos, explica que o “natal é o nascimento de Jesus na mente, nos corações e na atitude”. Segundo ela, o espiritismo acredita que o viver em Jesus e com Jesus é praticar o Natal milhares de vezes por ano. “Se Jesus não nascer e crescer, na manjedoura da alma, em vão o Ano-Novo se abrirá”.

(Diário do Pará)

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