A partir na próxima quarta-feira, dia 1, o novo salário mínimo de R$ 724,00, será implantado no Brasil. No estado do Pará, aproximadamente 1,5 milhão de paraenses terão direito a essa remuneração, o que causará um impacto na economia paraense de aproximadamente 70 milhões de reais por mês a partir do mês de janeiro de 2014.
Segundo um estudo feito pelo Dieese/Pa, o novo valor equivale a aproximadamente R$ 24,13 por dia de trabalho e cerca de R$ 3,01 por hora de trabalho, com um aumento de 6,78% em relação ao salário minimo vigente até o dia 31 deste mês (R$ 678,00). O anúncio foi feito pela presidente Dilma no último dia 23.
Do ponto de vista do poder de compra, o novo Salário Mínimo de R$ 724,00 ainda vai continuar a comprar pouca coisa em relação ao atual salário de R$ 678,00. Isto acontece porque mesmo em velocidade menor, a inflação continua crescendo e a Alimentação Básica continua subindo, principalmente no Pará onde o custo da Cesta Básica é um dos maiores do País.
O salário mínimo, em maio de 2005, passou de R$ 260,00 para R$ 300,00. Em abril de 2006, foi elevado para R$ 350,00, e, em abril de 2007, corrigido para R$ 380,00. Em março de 2008, o salário mínimo foi alterado para R$ 415,00 e, em fevereiro de 2009, o valor ficou em R$ 465,00. Em janeiro de 2010, o valor do piso salarial do país passou a R$ 510,00, resultando em aumento real de 6,02%. Em janeiro de 2011, o valor do piso salarial do país passou a R$ 540,00, em Março 2011 o mínimo chegou a R$ 545,00 sem ganhos reais em função da queda do PIB em 2009. Em janeiro de 2012 o mínimo passou para R$ 622,00 com um reajuste de 14,13 % (INPC de 6,08 % e PIB de 7,59 %). Em janeiro de 2013 o Salário Mínimo passou para R$ 678,00 com um reajuste de 9,00% (INPC de 6,10% e PIB de 2,70%).
No caso dos trabalhadores paraenses que enfrentam mês a mês um dos maiores custos de vida do País e onde a maioria das categorias organizadas não tem nenhuma outra forma de piso salarial, o crescimento real do Salário Mínimo é muito importante, de vez que quase 42,00% dos trabalhadores ocupados (aproximadamente 1,5 milhão de pessoas) tem no Salário Mínimo a sua remuneração maior. O total de trabalhadores ocupados no Pará chega a 3,6 milhões de pessoas.
O Dieese estima que em termos regionais aproximadamente R$ 1,6 bilhões de reais deverão entrar na economia da Região Norte (07 Estados) nos próximos 12 meses (incluindo o 13º salário).
Desse total de recursos que devem entrar na economia da Região Norte, mais da metade (53,83%), devem ser injetados na economia do Estado do Pará nos próximos 12 meses, uma média de aproximadamente R$ 70 milhões de reais/mês. Uma quantidade expressiva destes valores deverão ser direcionados para o consumo.
Mesmo com todo este crescimento e com os ganhos reais no período analisado, o Salário Mínimo ainda vai continuar a comprar pouca coisa. No mês passado (Nov/2013) a Cesta Básica dos Paraenses custou R$ 296,05 e comprometeu na sua aquisição cerca de 47,46% do Salário Mínimo atual (R$ 678,00), com o novo mínimo de R$ 724,00 que começa a vigorar a partir do próximo dia 1, o impacto deverá diminuir um pouco, mas não o bastante para que o mínimo atenda os preceitos constitucionais, onde o trabalhador pudesse ter o direito a habitação, vestuário, transporte, educação, alimentação, lazer, etc. Este salário constitucional deveria ser hoje segundo o Dieese em torno de R$ 2.761,58 bem longe, portanto do valor do novo salário mínimo.
(DOL, com informações do Dieese)
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