Para além de cartões postais de Belém, as peculiaridades do mercado do Ver-o-Peso são, também, marco da trajetória do intendente que administrou a capital paraense no período de 1897 a 1912. Ainda representado por muitas de suas obras que perduram até hoje, Antônio Lemos completou 100 anos de morte agora em 2013.
Ocupando a função que, hoje, é intitulada como a de prefeito municipal, Lemos foi o responsável por desenvolver a cidade quando o país ainda iniciava o período da República. Da trajetória deixada por Lemos, o historiador Aldrin Figueiredo lembra que a vontade de modernizar Belém ia muito além das paredes da sede do Conselho Municipal, hoje a sede da Prefeitura Municipal de Belém. “Lemos era um cara de muita ação, muita tenacidade e capacidade de trabalho. Por isso ele virou um mito político e um modelo de administrador. É, talvez, um dos intendentes mais conhecidos da cidade”, conta. “Diariamente ele fazia um passeio pela cidade a pé, de bonde e ele comentava tudo isso em seus relatórios. Ele sentia, realmente, a cidade, as necessidades da cidade”.
Das primeiras necessidades sentidas por Lemos em muitas de suas voltas por Belém, ele concluiu a urgência de arborização das vias públicas a fim de amenizar o clima sempre muito quente da cidade. As mesmas mangueiras que criaram expressão que faz referência à “cidade das mangueiras” hoje, foram as plantadas sob a ordem de Lemos. “Ele teve uma estratégia de embelezamento da cidade, de higienização e uma política de arborização da cidade”, explica, ao comentar as ações decorrentes das estratégias desenvolvidas pelo intendente. “A Praça Batista Campos foi remodelada por ele, a Praça da República tem partes que foram remodeladas por ele, o Bosque foi totalmente reformado pelo Lemos também”.
Para além das reformas e da construção do mercado do Ver-o-Peso, segundo o professor Aldrin Figueiredo, Antônio Lemos também foi responsável por obras que, ainda hoje, figuram na paisagem de Belém como os Mercados de Ferro e de Carne, o então Asilo Dom Macedo Costa, a sede do Corpo de Bombeiros, a caixa d´água de São Brás. “Belém foi a primeira cidade a ter bondes elétricos no Brasil na administração dele. Ele fez todo um projeto de ligação de espaços na cidade”, afirma. “Ele criou um novo bairro, o Marco da Légua, que hoje é o bairro do Marco. Ele começou a abrir aquelas ruas em 1897, quando assumiu. Por isso as ruas são todas em homenagem à Guerra do Paraguai, onde ele lutou. As ruas têm nomes das batalhas da guerra, como Perebebuí e Curuzú e as avenidas foram nomeadas com o nome dos heróis da guerra, como Almirante Barroso”.
Ainda que a contribuição de Lemos para o desenvolvimento da cidade possa ser constatada ainda hoje, 100 anos após sua morte, o intendente que saiu de Belém de forma nada gloriosa, um ano antes de morrer. “Ele foi deposto do cargo. Houve uma espécie de rebelião pedindo a saída deles, ele foi expulso da cidade. Foi para o Rio de Janeiro e um ano depois faleceu, em 1913”, conta o historiador que participou, ainda este mês, de um evento conjunto realizado pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e pelo Museu de Artes de Belém (MAB) em homenagem à figura política. “Em 1973 os restos mortais dele foram trasladados para Belém e hoje se encontram no Palácio Antônio Lemos, sede da Prefeitura”.
(Diário do Pará)
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