A Disfunção da Articulação Temporomandibular - também chamada de D-ATM - é uma alteração da articulação que liga o maxilar à mandíbula e também pode ter origem muscular. De acordo com o cirurgião traumatologista bucomaxilofacial Francisco Neves, especialista em dor e disfunção orofacial, não é um sintoma incomum, pelo contrário: é cada vez mais comum, principalmente para quem vive em grandes cidades e possui um ritmo de vida acelerado.
"Quando se trata de desordem na articulação, estamos falando de um paciente que nasceu com o padrão articular errado ou cuja evolução não foi apropriada", explica o cirurgião. "Na verdade são vários os fatores que podem culminar nessa desordem, sendo que muitas pessoas conseguem viver normalmente com o problema, mas este não é o caso da Maria Augusta, que nasceu com uma deficiência na maxila."
A referência é da servidora pública Maria Augusta Souza Fayal, 33, que está desde outubro do ano passado tentando corrigir um procedimento pelo Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Pará (Iasep), que alega não ter recebido nenhum documento comprovando que o procedimento é corretivo e não estético, e, por isso, não pode autorizar a cirurgia.
A outra forma do D-ATM, que envolve os músculos da mastigação, tem dentre suas principais causas o estresse. "Também tem a ver com bruxismo (mania de ranger os dentes), com o hábito de dormir com as mãos sobre a mandíbula, enfim, condições que provocam desgaste dos dentes, alteração da mordida e, o mais comum, zumbido no ouvido", acrescenta Francisco Neves.
Em geral, ainda segundo o cirurgião, basta realizar um procedimento que ajuste a posição da mandíbula, porém, no caso de Maria Augusta, sua fisiologia, ou melhor, seu complexo esquelético e muscular, não permitiu a correção e acabou agravando o problema: a correção deveria ser no osso, não para os dentes.
"Em poucos meses, se continuar no ritmo que está, Maria ficará incapaz de morder, pois a pressão que ela está recebendo é muito forte", destaca Francisco Neves. "Seu caso exige uma cirurgia mais complexa e cara. Para se ter uma ideia, se fosse possível aplicar pressão em um osso durante um ano haveria graves sequelas, pois os ossos não suportam este tipo de carga."
(DOL)
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