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BRT: gastos R$ 500 milhões até 2016

Novela de tortuosos capítulos - alguns deles bizarros, como a fraude montada na prefeitura para garantir a vencedora da licitação e que foi antecipada em anúncio classificado do DIÁRIO -, a implantação do Ônibus de Trânsito Rápido, da sigla em inglês BRT,

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Novela de tortuosos capítulos - alguns deles bizarros, como a fraude montada na prefeitura para garantir a vencedora da licitação e que foi antecipada em anúncio classificado do DIÁRIO -, a implantação do Ônibus de Trânsito Rápido, da sigla em inglês BRT, é o maior desafio do prefeito Zenaldo Coutinho para 2014.

A obra, iniciada no último ano da gestão de Duciomar Costa, caminha a passos de tartaruga, foi refeita por imposição de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) do Ministério Público Federal, mas só deverá mesmo ser concluída, segundo o próprio prefeito, em 2016. Irá coincidir politicamente com os festejos dos 400 anos de Belém.

Poucos sabem: o custo de manutenção, para os cofres públicos, durante os dez meses em que a obra esteve paralisada, foi de R$ 1 milhão por mês. Além do prejuízo financeiro, reconhecido pela prefeitura durante a assinatura do TAC, um turbilhão de problemas foi causado ao já lento tráfego de veículos nas avenidas Augusto Montenegro – onde existem até hoje apenas patéticos vestígios do BRT – e Almirante Barroso, fonte permanente de aborrecimentos e estresse para passageiros de ônibus e motoristas de veículos particulares.

Problemas que têm sido suportados, em meio a queixas diárias, pela perspectiva de melhoria para a mobilidade urbana da população, cansada de um jogo político no qual um ex-prefeito chegou a dar a primeira etapa do projeto como inaugurada graças à importação às pressas de um único ônibus do BRT, que em vez de deslizar sobre canaletas, como previa inicialmente o projeto, desfilou sobre uma pista mal arrematada de concreto.

Na parte inconclusa da obra, a prefeitura torrou R$ 98 milhões. O mesmo valor da indisponibilidade dos bens do ex-prefeito Duciomar Costa e de sua assessora na Comissão de Licitação decretada por sentença da juíza federal Hind Kayath.

Ex-aliado de Costa, o tucano Coutinho conseguiu, três meses depois de assumir a prefeitura, tocar o novo capitulo da obra paralisada no período pós-eleição. Desta vez sob as regras rígidas do TAC e as bençãos financeiras da Caixa Econômica Federal (CEF), que entrou com financiamento de R$ 312 milhões, dinheiro do FGTS. Há também R$ 100 milhões do Orçamento Geral da União e outros R$ 82 milhões da prefeitura.

O dinheiro, contudo, só será liberado à medida em que a obra avançar. No próximo dia 12, aniversário da cidade, o prefeito pretende inaugurar a primeira etapa do projeto, desta vez incluindo as obras do complexo do Entroncamento com seus viadutos e elevados.

Será uma inauguração meia-sola, pois ainda faltam arremates no que foi construído, mas já dará alguma mobilidade para os veículos que circulam por aquela área, hoje uma das mais conturbadas da cidade.

(Diário do Pará)

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