Ainda que a vida salva seja a de outra pessoa, para a vendedora Maria do Espírito Santo, os efeitos causados logo após a doação de sangue é nenhum outro senão o do renascimento. “Eu me sinto como se tivesse nascido de novo”, entusiasma-se, logo após sair do caminhão de coleta externa do Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará (Hemopa). Sem que o sangue seja a única necessidade em tempos de festas e feriados de fim de ano, a mesma contribuição é esperada pelo Banco de Leite Humano da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, que também realiza campanha para aumentar o estoque de doações.
Doadora de sangue já há cinco anos, Maria aproveitou a ida ao trabalho para contribuir para a manutenção da vida de um desconhecido, ou mais de um. Sem que o tempo tenha permitido que fosse até a sede do Hemopa nos últimos meses, ela foi uma das primeiras que se prontificou a passar alguns minutos no caminhão de coleta na manhã do último sábado. “Vim trabalhar e aproveitei. A gente tá nessa correria e nem sempre tem tempo de ir lá (ao Hemopa), então, quando a gente vê que tem essas campanhas, já aproveita”.
Com o estoque insuficiente para atender à demanda de cerca de 200 hospitais em todo o Estado do Pará, a ida da coleta de sangue aos bairros de Belém é mais uma estratégia para conquistar doações em tempos de baixa. Para que se atendesse a toda a demanda do Estado, seriam necessárias 300 doações por dia, meta não atingida atualmente. Com a meta de coletar 100 doações de sangue em cada dia de ação, a campanha vai até o dia 11 deste mês.
LEITE
Também com o estoque em baixa em decorrência das festas de final de ano, o Banco de Leite da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará espera ir além do percentual de apenas 38% a 40% de atendimento da demanda de bebês que necessitam de leite materno. “No fim do ano, a doação sempre cai com as viagens, então precisamos fazer esse movimento para que as mães não parem de doar e para que novas mães façam parte dessa corrente”, destaca a coordenadora do Banco de Leite Humano, Cynara Souza. “Os bebês não param de nascer e esse é o momento de aumentar o número de doadoras. Encerramos 2013 com uma taxa de 40% do fornecimento”.
Com a possibilidade de a doadora nem precisar sair de casa para contribuir para a manutenção da vida de uma criança, Cynara orienta sobre como as mães que ainda amamentam podem identificar a possibilidade de doar parte do leite. “Se a mãe observa que o bebê mama e que continua tendo leite, que a mama continua pesada, ela tem excedente e pode doar. Se ela doar, inclusive, pode ser que a produção de leite triplique, dependendo do estímulo”, explica. “Hoje temos cerca de 280 doadoras e 140 bebês precisando de leite, mas esses bebês aumentam o volume da mamada a cada dia a partir da necessidade deles e isso torna a nosso estoque insuficiente”.
(Diário do Pará)
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