A Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana (Semob, antiga ex-CTBel), registrou queda no número de infrações em 2013 em relação ao ano anterior. De acordo com o coordenador de Operações de Trânsito do órgão, Panfilio Lobato, foram 185.197 registros, com queda nas notificações por excesso de velocidade -antes carro-chefe da lista. Porém, houve aumento das canetadas em cima dos motociclistas e seus acompanhantes, que insistem em andar sem capacete. A queda nas multas dadas a quem pisa mais fundo no acelerador pode não representar uma melhor conduta no trânsito, por parte dos ‘apressadinhos’: o próprio Panfilio admite que o resultado pode ter a ver com o fato de que algumas “araras” passaram algum tempo sem funcionar durante o ano que acabou de terminar.
Outra análise feita pelo departamento de trânsito municipal é sobre o estacionamento proibido. Segundo o balanço de 2013, se essa infração não tivesse classificação fracionada por tipo - são mais 30 diferentes tipos de estacionamento irregular pelo CTB, dentre elas, a sempre problemática fila dupla -, essa teria sido a infração mais cometida na capital paraense, somando o total de 43 mil multas só por estacionamento proibido.
No ranking de multas que mais se repetiram estão o avanço de sinal vermelho, com 31.740 ocorrências; condução de motocicleta, motoneta e ciclomotor sem capacete, com 17.164 ocorrências; dirigir veículo utilizando telefone celular, com 15.760 ocorrências; conduzir motocicleta, motoneta e ciclomotor transportando passageiro sem capacete, com 11.266 ocorrências; e estacionar em local ou horário proibido pela sinalização, com 10.974 ocorrências.
Panfilio credita às diminuições, de um modo geral, às bem sucedidas campanhas educativas feitas pela Semob, em especial, próximo a escolas. “A superintendência está focada na educação, na orientação, e não na repressão. A nossa ideia é fazer com que o número de infrações diminua, e não o contrário”, afirma. Entre fevereiro e março, novas campanhas voltadas à utilização correta de motos e ainda à não criação de filas duplas devem ser postas em prática. “Crianças menores de sete anos não podem andar de moto. Esse é um problema grande em Belém e que acontece muito. Iremos às escolas fazer essa abordagem, mostrar os riscos, porque ela surte mais efeito na criança do que no adulto. Em relação aos estacionamentos proibidos, de forma geral, vamos aos pontos estratégicos, como as avenidas Braz de Aguiar e Nazaré com Magalhães Barata, por exemplo, para investir nessa conscientização. Passado esse primeiro momento, aí a atuação será repressiva, com aplicação de multas”, alerta.
Em relação ao avanço de sinal e uso de celular enquanto dirige, as sanções financeiras continuarão sendo a primeira opção de punição aplicada. “Muito já se falou sobre essas duas situações. A população já sabe o que pode e o que não pode, houve muitas campanhas, até nacionais, tratando sobre o assunto”, justifica.
Ineficaz
O gerente de projetos de Tecnologia da Informação (TI), Jonatas Junior, de 38 anos, não acredita na eficácia de campanhas educativas no trânsito de Belém. “O paraense e o brasileiro, em geral, só entendem a força. Acredito que junto com a campanha eles devem colocar mais agentes na rua em locais estratégicos, como o entorno dos shoppings. Perto da minha casa as calçadas ficam tomadas, carros estacionados nos dois lados das pistas. Fazem fila tripla, nem é dupla mais”, lamenta ele, que mora no bairro do Umarizal e afirma não levar uma multa em Belém há anos.
Evandro Cunha, de 33 anos, que trabalha como técnico em comunicação, entende que, se as multas diminuíram é porque a fiscalização aumentou. “Quando o motorista fica com medo de ser multado ou ter o carro guinchado, ele obedece. E quando há campanha envolvendo fiscalização, as pessoas fazem tudo certinho”, afirma ele, que tem carteira de habilitação há mais de 13 anos e só se lembra de ter recebido duas multas até hoje.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar