Com um engarrafamento que se perdia de vista na rodovia BR-316, já por volta de 10h de ontem, o primeiro dia útil de funcionamento dos elevados do Complexo Viário do Entroncamento, não foi de menos transtorno para pedestres e motoristas. Ainda confusos com as novas possibilidades de circulação no local, a população teve que contar com a paciência para enfrentar o trânsito praticamente parado durante boa parte do dia.
Sem que fosse possível manter uma boa fluidez no trânsito, o cruzamento das avenidas Dalva e Pedro Álvares Cabral foi um dos pontos que mais apresentou problemas. Com o grande fluxo de veículos que seguiam pelo elevado da BR-316 e, pela pista da direita, da avenida Augusto Montenegro, o trânsito ficou engarrafado e confundiu motoristas e pedestres. Ainda que auxiliados por três agentes de trânsito que estavam no local durante a manhã, o olhar de muitos motoristas parecia perdido.
Mesmo no veículo de rápida locomoção, o motoboy Edilson Torres não escapou do engarrafamento, logo na saída do elevado. “Está tudo muito complicado aqui. Esse semáforo (da esquina da avenida Dalva) está muito lento ainda. A gente acaba de sair do elevado e já tem que ficar todo esse tempo parado aqui. Engarrafa, não tem jeito”, opinava, sem esconder o estresse causado pela fila de carros que se estendia à sua frente. “É a segunda vez que tô usando aqui o elevado, mas ainda não deu pra se acostumar bem porque falta sinalização”.
Diante da ausência de uma faixa de pedestre que sinalizasse o local correto onde atravessar, a saída encontrada pelo aposentado Marcos da Costa foi parar na calçada por alguns minutos e tentar entender.
Concentrado em cada veículo que seguia em cada direção possível, ele não escondia a preocupação. “Tô tentando entender como é que vai ficar isso agora. Tô achando que falta sinalização porque, olhando assim rápido, tá complicado de entender como é que ficou isso aqui”, considerava. “Resolvi dar uma parada pra entender porque eu tenho que andar aqui sempre. Esses carros mesmo que vem aí desse elevado, eu não sei da onde vem. Não sei mais como a gente tem que atravessar... Eu espero mesmo que com o tempo isso melhore”.
Transporte
Quem tinha esperanças de que os elevados inaugurados neste último final de semana - como parte das obras de implantação do BRT (Bus Rapid Transit), fossem solucionar de pronto o problema do trânsito no local, começou a segunda-feira com certa desconfiança.
Perdida com a mudança no sentido dos micro-ônibus que, antes, faziam o retorno na Pedro Álvares Cabral, a dona de casa Maria José não escondia a decepção. “Ficou complicado agora. Antes eu pegava o micro-ônibus aqui pra ele dar o retorno na Tavares Bastos e ir para a BR. Agora nem sei como está, ninguém explica direito como vai ficar isso aqui”, constatava, ao também tentar entender as mudanças. “Eu pensei que o trânsito ia melhorar depois que fizessem isso, mas olha ai como está. Vou tentar me informar com alguém o que eu tenho que fazer. É o jeito, né?”.
Para agente, semáforo atrapalhou fluxo
Acionados o tempo todo por motoristas e pedestres, os guardas de trânsito tentavam lidar com o engarrafamento. “Estão bastante confusos ainda. Esse semáforo que ainda é de três tempos está complicando o fluxo de quem vem da Augusto Montenegro e da BR e ainda tem uma parada bem na saída do elevado”, considerava o agente de trânsito Gilvandro Favacho.
Com o relógio já distante do horário de pico, por volta de 7h30, o longo engarrafamento formado na rodovia BR-316 sentido Ananindeua/Belém também não era nada animador. Tanto para quem pretendia seguir pelo túnel em direção à avenida Almirante Barroso, quanto para quem precisava pegar o elevado para ir para a avenida Pedro Álvares Cabral, a única saída era ter paciência. “Hoje está bem complicado, caótico mesmo. Esse trânsito não tá levando ninguém a lugar nenhum”, reclamava Raimundo Cordovil, taxista que há 16 anos trabalha na BR-316. “Esses elevados não aliviaram nada e nem são a solução. Enquanto tiver sinal em cima da saída do elevado, não tem como o trânsito fluir”.
A Semob informou, por meio de nota, que os congestionamentos ainda estão previstos nesta fase de adaptação, quando muitos condutores não sabem quais caminhos percorrer no Entroncamento até o seu destino. Para tentar maior fluidez, a Semob "conta com o reforço do Detran e Polícia Rodoviária Federal trabalhando nos quatro cantos do complexo do Entroncamento – BR-316, Almirante Barroso, Augusto Montenegro e Pedro Álvares Cabral - desde o sábado com agentes de trânsito e equipes de educação, e assim permanecerá pelos próximos 15 dias".
A Semob disse também que somente com o complexo funcionando em sua capacidade máxima foi possível fazer contagem veicular para ajustes nos tempos semafóricos, o que já foi atualizado à nova realidade de tráfego ontem.
"A mudança no ponto de parada de ônibus está prevista, mas o trabalho, que é feito de madrugada para não interferir no trânsito, está prejudicado pelas chuvas que vêm acometendo Belém nas últimas noites. O mesmo ocorre com o trabalho de algumas sinalizações, como a da Pedro Álvares Cabral com a avenida Dalva, mas um semáforo no local dá total segurança para travessia de pedestre", disse.
(Diário do Pará)
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