O termo mobilidade urbana pode soar novo e esquisito aos nossos ouvidos, mas o que ele representa não é novidade. O termo foi utilizado para representar o nosso direito de deslocamento dentro das cidades, pensando em alternativas sustentáveis para o acesso de pessoas ao trabalho, a casa e serviços públicos.
No novo Complexo Viário do Entroncamento, inaugurado no dia 12 de janeiro, no aniversário de Belém, carros, pedestres e ciclistas não convivem muito bem e as alternativas para ciclistas e pedestres são poucas para quem trafega por ali.
O DIÁRIO DO PARÁ flagrou diversos ciclistas e pedestres se arriscando no meio dos carros e atravessando em locais onde não existe mais travessia. Atualmente, o local correto para a travessia na Almirante Barroso é uma faixa com sinalização e semáforo em frente aos Correios, distante do novo complexo viário. “A faixa mais distante é um transtorno a mais. Cada dia vejo dificultarem a vida de quem mora ou trabalha aqui perto”, informou o advogado José Júnior, que foi flagrado, junto com diversos outros pedestres e ciclistas, atravessando na antiga faixa de pedestre em frente ao conjunto Costa e Silva. “A faixa ainda está pintada no chão. Só me dei conta que não era mais aqui no meio da travessia porque os carros não estavam parando”, explicou o advogado.
Embaixo dos novos viadutos, ciclistas e pedestres se arriscavam no meio fio, contando com a sorte e sem entender direito qual era o seu lugar. “Me arrisquei vindo pela pista beirando o meio fio, mas eu não sei se é esse o correto ou se tem uma rota alternativa. Para mim, o caminho mais perto seria esse. A gente está sem orientação”, informou o engenheiro Marcos Cavalcante. “Acho que deve ter uma passarela no meio do complexo para que a gente possa atravessar e para os ciclistas também”, completou o engenheiro.
Lei da mobilidade
Marcos tem razão na sua sugestão. Segundo a Lei de Mobilidade Urbana (12.587/2012), o desenvolvimento urbano deve integrar os diferentes modos de transporte e melhorar a acessibilidade e mobilidade de pessoas e cargas no município. “As obras devem contemplar os pedestres e ciclistas, inclusive eles são prioridade juntamente com os coletivos, segundo a lei de mobilidade urbana, os carros vem em quarto plano, quando se planeja uma obra”, explicou a engenheira de Trânsito Patrícia Neves.
Pedro da Cruz passa pelo Complexo do Entroncamento todos os dias para trabalhar e esperava que uma ciclovia fosse colocada no local. “Todo dia passo por aqui e corro esse risco. Esperava que tivesse uma ciclovia para a gente trafegar”, lamentou o guardador de carros.
Ciclistas
O tráfego de ciclistas e pedestres está proibido no local, por cima ou por baixo dos elevados. Para ciclista que for seguir até a BR-316, o acesso é pela pista lateral à direta da Almirante Barroso até a rodovia. Se for acessar a Augusto Montenegro, o caminho é seguir pela avenida Tavares Bastos, entrar na Pedro Álvares Cabral à direita até a esquina da avenida Dalva, trocar de faixa para o outro lado da Pedro Álvares Cabral antes de acessar a Augusto Montenegro.
Para quem vem da BR-316 e deseja chegar à Augusto Montenegro deve manter-se à direita na rodovia até acessar a avenida. Se o foco for a Almirante Barroso, antes de chegar na entrada do Entroncamento é preciso acessar a lateral esquerda da BR-316 e seguir até a esquina da Tavares Bastos, onde é possível acessar a ciclofaixa central da Almirante Barroso.
Pedestres
Os pedestres foram deslocados para a esquina da Augusto Montenegro com a Rua Péricles Guedes. A travessia na avenida Almirante Barroso em frente ao Costa e Silva foi deslocada para a frente dos Correios. Na BR-316, o ponto de travessia continua sendo no pórtico ,onde há uma passarela, e na Pedro Álvares Cabral se mantém na esquina da avenida Dalva. A parada de ônibus na Pedro Álvares Cabral sentido centro foi deslocada para depois do semáforo com a Dalva. As paradas da Augusto Montenegro foram deslocadas para próximo à Rua Péricles Guedes.
Sem ciclovias e ciclofaixas, direitos não são respeitados
A acessibilidade universal é um dos pilares da Política Nacional de Mobilidade Urbana e tem como diretrizes a prioridade dos modos de transportes não motorizados sobre os motorizados e dos serviços de transporte público coletivo sobre o transporte individual motorizado. Ou seja, a prioridade é de quem anda a pé, usa bicicleta ou transporte coletivo.
Mas em vários pontos da cidade o pedestre e o ciclista ainda não se veem como prioridade. “Não me sinto privilegiado enquanto ciclista porque nesse trânsito de Belém a gente anda com sacrifício e só porque precisa. É muito perigosa a nossa locomoção, já vi ciclistas morrerem na minha frente. Uma ciclovia seria ideal para melhorar a vida da gente”, explicou o marceneiro José Marques, que usa a bicicleta como meio de transporte.
Encontramos o marceneiro José descendo da ciclovia na Pedro Álvares Cabral, embaixo do viaduto Daniel Berg. A ciclovia acaba naquele ponto e os ciclistas precisam andar entre os carros para continuarem seu caminho na avenida. Do Viaduto Daniel Berg até o Complexo Viário do Entroncamento não existem ciclovias, assim como na avenida Tavares Bastos, mesmo sendo rota alternativa para quem quer desviar da Almirante Barroso.
Segundo a Semob, as avenidas Pedro Alvares Cabral e Tavares Bastos são alternativas para os ciclistas desviarem do Entroncamento, mas até o momento as ciclovias não foram estabelecidas, sinalizadas ou pintadas por causa das chuvas.
Pista será interditada à noite
A Prefeitura de Belém quer entregar o corredor da avenida Almirante Barroso que integra a primeira etapa do projeto BRT Belém. Hoje, parte da avenida nas faixas de quem sai da cidade em direção a Ananindeua será parcialmente interditada pela Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém - Semob, das 22h às 5h de sexta-feira, para o asfaltamento do trecho.
A interdição se dará a partir da fachada do Ministério da Agricultura até a frente do Parque de Exposições do Entroncamento, de forma parcial: primeiro na faixa da direita, liberando o fluxo pela esquerda, e depois de forma inversa.
Haverá agentes orientando o trânsito no local. O motorista que estiver saindo de Belém e quiser evitar o trânsito lento pode desviar caminho pela av. João Paulo II e retomar a av. Almirante Barroso pela passagem Coração de Jesus ou pela rua Mariano, que já saem na BR-316.
Outras interdições devem acontecer na avenida Almirante Barroso e serão divulgadas assim que a Semob tiver confirmação do calendário de ações na via.
(Diário do Pará)
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