A demora para o atendimento na rede pública de saúde no Pará é uma realidade dolorosa para muitas pessoas, que sofrem em filas aguardando procedimentos médicos. Este é o caso de uma mulher de 35 anos, que desde 2010 aguarda uma cirurgia para tratar de um angioma na cabeça, um tumor que causa pressão no cérebro da vítima.
“Fui diagnosticada ainda criança, mas o tumor era pequeno. Nos últimos anos ele cresceu e começou a me causar vários problemas, como dores de cabeça, e em 2010 foi quando procuramos um médico para fazer a cirurgia”, conta a paciente, que preferiu não se identificar.
Na época, a mulher morava em Belterra, no oeste paraense. Ela chegou a procurar o Hospital Regional de Santarém, mas foi informada que lá não poderia fazer a cirurgia e foi encaminhada para o Hospital Ophir Loyola (HOL), em Belém. Entretanto, a paciente afirma que nunca conseguiu deixar a lista de espera.
“O HOL sempre afirmava que não possuía o material para fazer o procedimento, que iria abrir licitação para comprar e que eu deveria aguardar. Eu fico esperando, ligo para lá, mas nunca sai dessa situação, só mandam eu esperar a compra. E nisso se passaram três anos, e a doença piorando”, afirmou.
A paciente afirma ainda que necessita que algum procedimento cirúrgico seja feito com rapidez. “Como o angioma cresceu, nem sei se o procedimento a ser feito é o mesmo que deveria ter sido realizado em 2010”, contou. “Atualmente, além das dores de cabeça, sinto dor no pescoço, pelo peso do tumor, estou perdendo a audição e olfato, tomo remédio controlado e um médico disse que posso sofrer uma isquemia (falta de irrigação sanguínea no cérebro) que pode causar a perda de movimentos de parte do corpo, como braços e pernas”.
Atualmente a paciente está em Oriximiná, no Oeste paraense, onde tem mais acesso à médicos. Ela também entrou com um pedido no Fórum local para que o Ministério Público intervenha no caso.
>> Entenda o que é angioma, espécie de tumor benigno
(Gustavo Dutra/DOL)
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