O Serviço Geológico do Brasil (CPRM), antiga Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, apontou a existência de pelo menos 168 setores de risco em 29 municípios paraenses, entre 2012 e este ano. Os dados pertencem ao balanço parcial do mapeamento destes setores, divulgado ontem, e que foram encaminhados para os órgãos de Defesa Civil das cidades pesquisadas e também do Estado.
Os números também revelam que quase 85 mil paraenses vivem em áreas de riscos de alagamentos, deslizamentos e assoreamento de terras. Até o final do ano, outras seis cidades paraenses terão as áreas de riscos mapeadas.
Segundo a Defesa Civil Municipal de Belém, somente na capital paraense são 94 pontos críticos que oferecem riscos a população. O órgão alerta ainda para a existência de setores de riscos em Mosqueiro, Outeiro e Icoaraci.
O mapeamento das áreas de risco pelo CPRM começou a ser desenvolvido em 2012. Entre as cidades que já estão com o estudo concluído estão Belém, Altamira, Marabá, Óbidos, Santarém, Parauapebas, Anapu, Eldorado dos Carajás, Itaituba e Vitória do Xingu. Algumas delas sofrem constantes alagamentos devido as cheias de alguns rios no período chuvoso.
Os dados geológicos são preocupantes e indicam que 84.915 pessoas vivem em 20.931 moradias erguidas nas mais diversas áreas de risco. Além dos órgãos de defesa civil, o estudo foi encaminhado para o banco nacional de dados do Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemadem) e ao Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad).
ESTUDO
Para o diretor de Hidrologia e Gestão Territorial Thales Sampaio, os estudos irão orientar a tomada de decisões para a redução dos danos resultantes de risco geológico, principalmente escorregamentos, erosões, deslizamentos, enchentes e inundações, que oferecem risco para as vidas da pessoas e danos materiais.
Em Belém, segundo a Defea Civil municipal, são 94 áreas onde a população sofre com constantes alagamentos provocados pela chuva e também pelas cheias da maré. “Destes 94, 12 são consideradas as mais sérias e nós já fazemos ações de monitoramento”, disse a arquiteta da Defesa Civil Municipal, Maria do Rosário.
Entre os doze setores apontados por ela estão as áreas da periferia do bairro do Marco (canal da Vileta e Mariz e Barros) e as que ficam próximo ao canal do Tucunduba.
Questionada sobre o que poderá mudar agora com o mapeamento em mãos, a arquiteta ressalta que o estudo contribuirá para intensificar as ações. Porém, destacou que as áreas apontadas pelo CPRM já eram de conhecimento da Defesa Civil. “O que mudou é que agora nós temos o georreferenciamento com as latitudes e longitudes destas áreas”, pontuou.
A Defesa Civil alertou também para os riscos de deslizamentos de terras e a erosão nos distritos de Mosqueiro, Outeiro e Icoaraci. “Não há motivos para pânico. As áreas apontadas não são habitadas”, ponderou Maria do Rosário.
(Diário do Pará)
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