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Moradores tentam retomar a vida após desabamento

Entre a barreira, agora, rigorosa à margem do rio Maratauíra, a ausência total de movimentação nas ruas que circulam o local da erosão contrasta com a agitação característica do centro de Abaetetuba em plena manhã de sábado. Enquanto a rotina é estabeleci

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Entre a barreira, agora, rigorosa à margem do rio Maratauíra, a ausência total de movimentação nas ruas que circulam o local da erosão contrasta com a agitação característica do centro de Abaetetuba em plena manhã de sábado. Enquanto a rotina é estabelecida no resto da cidade, em parte da comunidade São João Batista, apenas os avisos afixados nas portas das casas marcam presença. “Interditado (Defesa Civil)”. Passados 15 dias da erosão que desalojou mais de 50 famílias, a cidade do nordeste paraense ainda tenta se recuperar do susto.

Apoiada na janela da frente de sua residência, a apenas uma casa da área de interdição, a autônoma Liduina Pinheiro tem a confirmação dos prejuízos acumulados na manhã do último dia quatro. Já com a liberação da Defesa Civil do Estado do Pará para voltar para a casa de dois andares, ela, o marido e o filho ainda tentam retornar à normalidade da vida.

“A cidade ainda tá muito mexida com o que aconteceu. Foi um susto muito grande. A gente já tava acostumado com todo mundo junto aqui. Agora a gente olha pro lado e não vê”, recorda, ao constatar que muitos dos vizinhos conhecidos já não compõem a paisagem vista pela janela.

“Vi tudo, o desespero, os gritos, foi terrível. Eu não sabia se ia chegar aqui, então só lembro que saí correndo. Deixei tudo. Cheguei a tirar todas as minhas coisas, fiquei dois dias na casa da minha mãe, mas a Defesa Civil disse que eu podia voltar, então voltei”, conta a autônoma.

Ainda que a autorização tenha partido após a análise do órgão competente, a instalação na primeira casa após a fita de isolamento da área interditada preocupa. Acostumados a dormir no andar de cima, a família, ainda hoje, se acomoda na sala. Caso outra erosão ocorra, será mais fácil correr.

“Desde que isso aconteceu a gente nunca dorme tranquilo, fica em alerta constante. A gente já desceu as redes e estamos dormindo aqui em baixo”, revela, ao confessar temer o momento em que as duas barracas ainda instaladas no local se forem. “Enquanto eles (bombeiros) ainda estão aí, estamos mais tranquilos. Mas quando eles se forem, não vai ser fácil. Ainda tem essas rachaduras na rua aí, algumas casas tão tombadas, daqui a pouco começa a chuva...”.

Doações amenizam a perda

Para os que não tiveram a sorte de ter a casa preservada, a solução temporária chegou através do benefício do ‘aluguel social’, gerenciado pela Prefeitura de Abaetetuba. Desde a última terça-feira, as famílias que ainda estavam abrigadas no Ginásio Hildo Carvalho já estão morando nas casas alugadas com o benefício. No momento, as muitas doações recebidas de várias partes do Estado estão concentradas no Quartel do Exército Brasileiro, Tiro de Guerra.

“A cada dois dias as famílias recebem os mantimentos e, com relação às roupas, estamos fazendo uma triagem para organizarmos um cronograma para que cada família possa levar 40 peças. Quando todas já tiverem recebido, voltamos para o início”, explicou o primeiro sargento, Nelson Cypriano, ao informar que 53 famílias estão recebendo apoio da operação realizada por diversos órgãos e comandada pela Prefeitura de Abaetetuba. “A situação mais emergencial para cada família já melhorou e isso já nos permite organizar um cronograma. Cada família já está em sua casa, não houve perda de vidas, então, a vida está seguindo”.

Preocupação de novo incidente ronda moradores da cidade

Apesar do reestabelecimento gradual da rotina, não são poucos os que ainda estão abalados. Mesmo entre moradores de áreas mais distantes do local da erosão, a preocupação é constante. “A gente fica com uma preocupação com relação à área toda de frente do rio (orla), de que, eventualmente, aconteça de ter essa erosão em outras partes”, confessa a bacharel em Direito Liliane Costa. “Tudo o que aconteceu é lamentável porque as pessoas perderam tudo e para recuperar é muito difícil”.

Ainda com as lembranças de uma erosão que alterou a paisagem na orla de Abaetetuba há muitos anos, o autônomo Guilherme Sardinha também não esconde o receio. “Já pensou como é perder tudo o que conquistou em segundos? Eu tava aqui na orla e vi madeira, roupa, eletrodoméstico tudo passando pela água”, lembra. “A gente fica preocupado porque tem ruas rachadas”.

(Diário do Pará)

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