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Mãe de jovem assassinado em 2007 pede justiça

Após quase sete do assassinato do pedreiro Rafael Viana, os três policiais militares acusados de cometer o crime serão julgados, nesta sexta-feira (24), no Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJE/PA), no bairro da Cidade Nova, em Belém. O caso acontece

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Após quase sete do assassinato do pedreiro Rafael Viana, os três policiais militares acusados de cometer o crime serão julgados, nesta sexta-feira (24), no Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJE/PA), no bairro da Cidade Nova, em Belém. O caso aconteceu no dia 2 de novembro de 2007.

Em entrevista ao DOL, na tarde desta terça-feira (20), Rosa Viana, mãe da vítima, disse que espera que a justiça seja feita. "Só queremos essa vitória. Quero que a justiça seja feita e eles paguem pelo que fizeram com meu filho. Esses policiais estavam acostumados a fazer isso na nossa área, mas ninguém nunca denunciou, com medo", disse. Ela conta ainda que pediu para famílias da redondeza, que já sofreram situações parecidas, prestarem depoimento contra os polIcias, mas ninguém aceitou por temerem repressão.

Emocionada, Rosa lembra com muita tristeza o dia em que tudo aconteceu. "Eu lembro que estava na igreja, quando meu marido foi me falar que os policiais invadiram a nossa casa e levaram o Rafa. Imediatamente, junto com vizinhos, fomos para a delegacia do Guamá, para onde levaram o meu filho e, quando cheguei lá, eles (PMs) me pediram 300 reais, mas eu expliquei que não tinha. Aí eles falaram que ficava em 200 reais, mas eu também não tinha essa quantia. Então, eles falaram que não podiam fazer nada e meu filho ia ficar lá", conta.

Em meio às lágrimas, a mãe de Rafael conta que olhava o filho pelo vidro, então abriu a porta para falar com ele. "Dói muito lembrar ele perguntando: 'a senhora vai me deixar aqui?', mas eu não tinha o que fazer, não tinha o dinheiro", relembra Rosa, que diz que seguiu para sua casa e não conseguiu dormir a noite toda.

Segunda ela, na manhã do dia seguinte, Rafael voltou para casa e contou que os policiais o liberaram com a condição de que levasse o dinheiro dentro de quatro dias. "Apressado, ele me contou que deixou a identidade dele com os policiais e seguiu para o banho, pois tinha que trabalhar. Depois não falamos mais disso", diz Rosa.

Cerca de 15 dias depois do ocorrido, Rafael Viana apareceu morto. "Pela investigação, parece que eles queriam matar um traficante que também se chamava Rafinha e eles iam ganhar 10 mil por isso. Mas eles mataram a pessoa errada", ressalta a mãe de Rafael, que completa contando que o promotor de justiça Armando Brasil deve pedir a expulsão dos policiais.

O caso

Rafael Viana teria sido abordado no dia 2 de novembro de 2007, no bairro do Guamá, pelos três policiais militares que estão respondendo ao processo. A alegação dos militares foi de que o pedreiro, em companhia de outra pessoa, teria tentado roubar uma bicicleta. O suposto comparsa teria conseguido fugir e o pedreiro fora detido por um policial civil, e depois entregue à viatura chefiada pelo tenente Negrão. Mas em vez de ser conduzido a uma delegacia, os policiais teriam levado o suspeito até a ponte da Alça Viária, próximo ao município de Acará, a 161 km de Belém, onde teriam torturado e executado Rafael. O corpo da vítima foi encontrado boiando no rio Guamá, com marcas de tortura na cabeça e com as mãos amputadas, três dias após o ocorrido, na localidade de Espírito Santo, em Acará.

(Ana Paula Azevedo/DOL)

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