Sequer chegou o carnaval e o preço do pescado paraense não para de subir, segundo o último balanço realizado na primeira quinzena de janeiro, pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Isso tem preocupado não apenas os consumidores, mas também órgãos relacionados à economia, que começaram a se reunir em busca de consenso, a fim de oferecer preço justo à população.
Dos 38 tipos de pescados mais consumidos durante a Semana Santa, a maioria está acima da inflação, uma variação de até 127% no último ano. De acordo com o supervisor técnico do Dieese/PA, Roberto Sena, ao longo da história, o período de novembro até a Semana Santa, o paraense paga mais caro ao comprar peixe, seja na feira ou no supermercado, devido “a sazonalidade e a comercialização, que geralmente são os principais fatores da alta dos preços”. “Verificamos que o pescado voltou a subir e não é possível continuar assim. Precisamos tentar garantir o abastecimento e o equilíbrio de preço”, avalia Sena.
Cronograma
Por conta disso, iniciou ontem a primeira reunião do cronograma de ações da Secretaria Municipal de Economia (Secon), a Secretaria Estadual de Pesca e Aquicultura (SEPAq) e Dieese com outros parceiros interessados: vendedores, balanceiros e indústrias. Porém, o primeiro a ser chamado foi a associação dos pesqueiros, mas nenhum representante compareceu.
Para Cirilo Garcia, auxiliar de Mercado Agrícola da SEPAq, “a Semana Santa é o natal dos pesqueiros, que além da pouca oferta, existe a alta do preço, momento em que eles aproveitam”.
Caso os encontros entre os parceiros ligados ao assunto não resulte em solução, a saída será optar pelo decreto que proibirá a saída do pescado para outros estados no período, a fim de atender exclusivamente a demanda não somente em Belém, como de todo o Pará.
“O decreto do governo e da prefeitura passa a valer 20 dias antes da semana. É uma medida extrema, mas é a única que está garantindo a presença do pescado nas feiras, já que com essa escalada de preços ele tende a sumir”, explica o secretário da Secon, Marco Aurélio Nascimento.
Segundo ele, equipes de fiscalização municipal e estadual no período do decreto realizam trabalho de monitoramento de saída do pescado, permitido apenas a transportação para lugares mais próximo como Castanhal e Marituba. O secretário acredita ainda que “dificilmente devem abrir mão desse instrumento”, a exemplo do ano anterior.
(Diário do Pará)
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