Não era à toa que Gardênia Paula estava tão nervosa ao esticar a mão para a enfermeira no Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará (Hemopa): era a primeira que vez que ela estava doando sangue.
O nervosismo não se justifica, já que doar sangue não dói, não prejudica o seu organismo e, principalmente, ajuda a salvar vidas. Esse foi o objetivo de Gardênia: “Meu primo vai fazer uma cirurgia e vai precisar de sangue. Mais quatro pessoas da família já vieram. Assim que eu fizer 18 anos com certeza devo continuar com a prática”.
A prática é saudável e solidária, mas a assistente social da Gerência de Captação de Doadores do Hemopa, Aparecida Salgado, lamenta a situação em que o estoque do banco de sangue se encontra. “Mas poderia estar pior. Observamos uma queda vertiginosa de 30% no número de doações. Por isso estamos saindo dos muros do Hemopa e fazendo diversas campanhas externas”, explica.
As campanhas renderam no final do ano passado, por exemplo, 780 doações a mais do que esperado: “Muitos doadores têm problemas para chegar até aqui por causa de chuvas e engarrafamentos. Queremos então ir até eles”.
Nos dias 27 e 28 deste mês, por exemplo, o Hemopa vai até o shopping Castanheira, na BR-316, para receber doações, de 10h às 19h.
Para doar basta levar a identidade original, estar alimentado normalmente, não ter bebido álcool nas últimas 24h e ter tido uma boa noite de sono. “Tudo isso assegura a qualidade do sangue doado. Se tem de 18 a 69 anos de idade, pesando mais de 50 kg, já pode se candidatar a doação”, explica Aparecida.
Para alguns, esses pequenos obstáculos não impedem. Francisco Lima tem 48 anos e, destes, doa sangue há 23. “Eu me sinto muito bem doando sangue. De cinco em cinco meses venho e faço minha contribuição, pois sei que salvo vidas assim”, explica o auxiliar de produção, que também já incentivou muitos amigos a doar.
Os doadores recebem um atestado médico, caso queiram ir ao banco de sangue em dia de semana e acabem faltando trabalho. “Mas se não puder, venha no sábado. Funcionamos normalmente de 7h30 às 17h. Independente da situação, os problemas continuam acontecendo e as pessoas continuam precisando desse sangue”, ressalta a assistente social.
(Diário do Pará)
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