No momento em que se viu desobrigado de cumprir horários rigorosos, o aposentado Luis Alberto Valente Monteiro resolveu colocar em prática os projetos adiados ao longo da carreira profissional. Conquistada a merecida pausa ainda em 2003, Luis passou a se dedicar, dentre outras coisas, a escrever sobre as vivências da própria adolescência no interior do Estado do Pará. Livre para definir seus próprios compromissos, ele não esconde que tem bons motivos para celebrar no dia de hoje, quando é comemorado o Dia do Aposentado.
Ainda que o hábito continue lhe acordando cedo, o aposentado passou a comandar as próprias atividades e horários apenas quando atingiu a possibilidade de usufruir dos anos de contribuições. Acostumado a viajar constantemente a trabalho, quando se viu aposentado, Luis não pensou em outra coisa senão descansar. “Eu quase não parava em casa e, quando me aposentei, dei uma parada. Não tive muita vontade de fazer muita coisa não”, explica. “A ideia que eu tenho da aposentadoria é a de que a pessoa já lutou, trabalhou e, quando se aposenta, precisa viver de uma maneira diferente, aproveitar mais a família”.
Descartada a possibilidade de continuar trabalhando mesmo após o benefício, a rotina é tomada, normalmente, pelas escolhas. Logo pela manhã, a caminhada é seguida pela leitura das informações contidas na internet, de um livro ou pela escrita do seu próprio. Há também que se contribuir com os afazeres da casa. Com o conforto possibilitado pelas escolhas feitas ainda durante a vida profissional, ele comemora, mas também destaca a necessidade de que outros aposentados também possam ter a mesma tranquilidade.
“A tranquilidade da aposentadoria é relativa, para muitos ela existe, mas, para outros, com a quantia dada, a aposentadoria não dá esse conforto e a pessoa tem que continuar trabalhando”, considera, ao lembrar que além da aposentadoria pelo Governo Federal, ele também se preocupou em contribuir com uma aposentadoria complementar. “O Brasil deveria pensar um pouco melhor a aposentadoria para que ela fosse mais real. Quando a pessoa compara o valor da aposentadoria com o salário que tinha, tem o choque. A perda é grande”.
Final de semana
A liberdade também foi o maior benefício conquistado por Silvia Amanajás da Costa com a aposentadoria. Somados os 25 anos de carreira como professora, a aposentada só se viu disposta a tomar decisões baseada apenas em sua própria vontade quando alcançou as condições necessárias para o benefício.
“Já estou aposentada há 14 anos e foi só depois de aposentar que a gente pode aproveitar mais os passeios de final de semana sem ter que vir embora para trabalhar na segunda. Meus filhos já estavam crescidos, então, eu fiquei mais liberta. Eu estava livre!”, sorri, sem deixar de falar com carinho dos dias de trabalho. “Eu trabalhava de manhã e à tarde na educação especial. Foram 10 anos no ensino normal e 15 no ensino especial. Quando eu fui pro ensino especial que eu gostei mesmo, porque víamos o trabalho da gente aparecer”.
Encarar a redução dos rendimentos
Ciente da mudança executada na vida de muitas crianças através da educação, é com a mesma ternura que a aposentada Silvia fala dos merecidos dias de descanso. Assim como Luis Alberto, porém, a percepção da redução no rendimento é compartilhada. “É baixo porque a gente não tem as vantagens que pretendia ter, mas com saúde a gente vai levando. Tem que saber administrar”, recomenda. “A vida de aposentada é boa, não tem muito do que reclamar”.
Como recomendação para quem acaba de se aposentar, a também aposentada Maria Silvia Teixeira dos Santos, 78 anos, sugere a ocupação do tempo livre. “Eu pude ficar mais tempo com a minha família e tive muito tempo livre também. Tem que ocupar o tempo”, aconselha, ao lembrar que o benefício possibilitou que ela se mudasse do Rio de Janeiro para Belém, onde está a maioria dos parentes. “Às vezes eu saio, vou para a casa dos irmãos, passeio... é muito bom”.
(Diário do Pará)
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