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Alzheimer exige cuidados especiais

Dos anos vivenciados ao lado da família, Hilda Teixeira lembra de pouquíssima coisa. Ainda que os personagens dos momentos vivenciados transitem frequentemente ao seu redor, das memórias armazenadas, apenas as mais antigas. No momento, a fase é a de recor

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Dos anos vivenciados ao lado da família, Hilda Teixeira lembra de pouquíssima coisa. Ainda que os personagens dos momentos vivenciados transitem frequentemente ao seu redor, das memórias armazenadas, apenas as mais antigas. No momento, a fase é a de recordar dos pais como se ainda vivos. “Um tempo ela estava lembrando dos filhos, outro do marido... agora está lembrando do pai e da mãe. Lembra muito de uma irmã que também já se foi”.

Ativa até muito tempo depois dos 60 anos de idade, Hilda Teixeira teve o diagnóstico da doença que já acomete 1,2 milhão de pessoas no Brasil, o Alzheimer, há dois anos. Sem que as características da doença degenerativa fossem identificadas ainda cedo pela família, a descoberta veio tardiamente. “Ela começou a ver pessoas, crianças subindo em árvores, dizia que colocava dinheiro em um lugar e pessoas tiravam de lá”, lembra a aposentada Sueli Cruz, nora de Hilda. A gente pensava que era coisa da idade. Quando descobrimos, já estava em um grau muito avançado. A gente não queria acreditar nessa condição dela”.

Cuidados

A dificuldade de percepção das características que, não raro, são confundidas com o avançar da idade não é restrita à família de Hilda. De acordo com o professor da Universidade de Coimbra, médico e bioquímico clínico, Rodrigo Pinto da Cunha, o desafio para se amenizar os sintomas das doenças degenerativas está, justamente, em identificar antecipadamente os estágios. “Há a necessidade de olhar para a doença de acordo com o estágio em que está para prevenir, não evoluir. Tem que se saber que são processos diferentes”, destaca. “O Alzheimer não tem tratamento, temos paliativos para atenuar os sinais e os sintomas e aí está a importância de identificar o quanto antes. O que se pode fazer é impedir que o que se tem se torne mais grave”.

Ainda que os medicamentos também auxiliem no acompanhamento e na amenização dos sintomas, o médico destaca outras atividades que podem auxiliar a vida de uma pessoa com Alzheimer. “Sabemos que a perda de memória é muito dramática. Mas há aspectos a controlar como a agressividade. Isso é possível de ser feito com a regulação da hora do sono, manter um ambiente não agressivo para a pessoa, prática de exercícios, melhoria da dieta e do peso”, enumera. “Mas são sempre medidas paliativas que ajudam muito, mas a evolução continua”.

Sem que as informações tenham vindo com antecedência, a pedagoga e neta de Ilda, Fabiane Cruz se empenhou em pesquisar sobre o assunto. Hoje, mantém uma página em uma rede social onde relata o dia a dia da avó e compartilha experiências. “Quando descobrimos foi um choque porque não tínhamos nem ouvido falar nessa doença”, lembra. “Eu pesquisei sobre o Alzheimer, imprimi e distribuí pros netos, pros filhos. Esse esclarecimento é importante e não só dos familiares como da população em geral. Hoje abraçamos a causa”.

Ainda que a recordação não venha à memória, Fabiane lembra que a família passou a proporcionar coisas novas a avó. Cada dia é o de pesquisar e descobrir como amenizar os sintomas. “A incidência da doença está aumentando e se a pessoa conhece o assunto, conhece as características, vai procurar o médico mais cedo. Se tivéssemos identificado antes, teríamos amenizado e retardado a doença”, destaca. “Com 80 anos, pela primeira vez, ela foi na praia. Estamos proporcionando coisas que ela nunca viveu. No facebook eu falo sobre esse dia a dia dela, trocamos experiências, e aconselho que não deixem agravar pensando que os sintomas são normais pra idade”.

Em números

35,6 milhões de pessoas são portadoras de Alzheimer no mundo;

1,2 milhão de pessoas foram diagnosticadas com Alzheimer no Brasil, segundo a Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz);

Segundo estimativas da OMS existirão 115 milhões de pessoas com demência em todo o mundo nos próximos 40 anos;

24% dos pacientes com demência ocultam ou dissimulam seu diagnóstico citando o estigma como principal motivo, segundo o Relatório Mundial de Alzheimer;

40% das pessoas com demência relatam não ser incluída na vida cotidiana da família;

Aproximadamente dois em cada três pessoas com demência e seus cuidadores acreditam que há uma falta de compreensão da doença em seus países.

(Diário do Pará)

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