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Portos não têm atendimento médico e segurança

Para quem utiliza um dos 29 terminais de passageiros e cargas de Belém, um conselho: não tenham problemas de saúde nem necessitem de socorro policial. Esses serviços quase não existem na capital. Segundo relatório apresentado pela Universidade Federal do

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Para quem utiliza um dos 29 terminais de passageiros e cargas de Belém, um conselho: não tenham problemas de saúde nem necessitem de socorro policial. Esses serviços quase não existem na capital. Segundo relatório apresentado pela Universidade Federal do Pará à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), nenhum dos terminais analisados em Belém entre os anos de 2011 e 2012 apresenta postos de atendimento médico e apenas 3% do dos terminais apresentam postos de policiamento, o que torna a população usuária do transporte náutico desprovida de qualquer atendimento médico e vulnerável a contravenções.

A análise feita pelos pesquisadores da UFPA mostra toda a estrutura de atendimento dos terminais de Belém são deficientes. Bancos e assentos, lixeiras, banheiros públicos, lanchonetes, controle de acesso, balcões de informação, policiamento, entre outros itens, foram todos reprovados pelos usuários.

‘”Os terminais de Belém precisam de intervenções na busca da melhoria de seus padrões de atendimento. Necessitam de melhorias nas estruturas de acostagem de forma a permitir uma minoração das taxas de ocupação e uma melhoria nos padrões de infraestrutura portuária”, afirma o relatório.

Os pesquisadores alertam serem necessários investimentos em obras de adequações, principalmente voltadas às melhorias de requisitos relativos às áreas de acumulação pública, salas de embarque, áreas de atracação, e aos processos de movimentação e armazenagem de carga.

Buracos e medo

Um exemplo de terminal em condições precárias de atendimento à população é o Porto da Feira do Açaí, na Avenida Bernardo Sayão. “Aqui não tem mais condições de atracar barco”, diz Adeladio Abaeté, 62 anos. Trabalhando há mais de 30 anos no porto, Abaeté diz que já fizeram diversas promessas de melhoria no local. “Já veio engenheiro, já fizeram levantamento, mas credo que já fizeram alguma coisa”, diz.

Com buracos no trapiche, madeira podre e quase nenhuma segurança, o desembarque é sempre complicado. “Tem deficiente que fica uma complicação descer do barco. No inverno piora tudo”, diz Abaeté.

O movimento é sempre intenso. Barcos grandes e pequenos tentam achar espaço. Pequenas baiúcas servem de ponto comercial para os que embarcam e desembarcam. Tudo sem controle algum.

É em condições como essas que Adiane sobe no pequeno barco carregando no colo o filho Anderson Mikael, de dois anos. O destino é a Ilha das Onças. O barco não tem proteção no motor e não possui cobertura. “Todos os dias preciso vir para Belém”, diz ela, apressada, enquanto desce a escada de madeira velha que dá acesso à embarcação.

A dura equação

A baixa qualidade dos serviços e a ausência de conforto e segurança costumam ser justificadas pelas necessidades de cobrar tarifas de baixo valor. A ideia de uma região subdesenvolvida e população com padrão de renda e nível muito baixo acabam por fazer com que os que realizam os transportes digam não ser possível melhorar o serviço. “Se aumentar preço, os passageiros irão reclamar muito”, diz o comandante Luano, evitando maior contato com a reportagem.

“Mudar esse cenário representa um grande desafio para os governos federal, estadual e municipal. Eles devem viabilizar recursos necessários e linhas de crédito para que empresários do setor possam melhorar embarcações e terminais”, avaliou em setembro do ano passado, em Belém, o superintendente de Navegação Interior da Antaq, Adalberto Tokarski, durante seminário sobre transporte fluvial de passageiros na Amazônia. O desafio está lançado.

O governo do Estado garante que o terminal hidroviário do Armazém 9 da Companhia das Docas do Pará pode ser uma das soluções para a deficiência dos serviços. Previsto para ser inaugurado no fim de fevereiro, deve atender a uma demanda de 50 mil passageiros por mês, de acordo com estimativas do presidente da Companhia de Portos e Hidrovias do Pará, Abraão Benassuly. “O terminal está dentro dos padrões da resolução da Antaq”, afirma Benassuly. A construção do terminal deve custar R$ 16 milhões no total.

(Diário do Pará)

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