A imposição do desejo sexual do adulto a uma criança, com ou sem violência física, mesmo que por meio da sedução, configura-se como um tipo de agressão que, invariavelmente, deixa marcas para a vida futura da vítima. O aprofundamento desse debate, tendo como referência básica a teoria freudiana e as contribuições de Ferenczi e Winnicott, é a proposta do minicurso “Abuso Sexual Intantil: repercussões”, que se realiza nos dias 30 e 31 de janeiro, no auditório do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Pará (IFCH/UFPA), no Guamá. As inscrições já estão encerradas e a programação completa do evento está disponível no site http://www.ufpa.br.
Oriundo do projeto de extensão “Clínica de Psicologia: um olhar em atenção à saúde do estudante”, coordenado pelo professor André Barreto, e que atende, com o apoio de uma equipe interdisciplinar (um psiquiatra, dois assistentes sociais e quatro psicólogos), cerca de 45 universitários da federal cujas condições sociais, financeiras e psicológicas afetam diretamente o desempenho acadêmico do aluno, o evento é voltado a alunos e profissionais da área da Saúde e Educação, trazendo como convidada especial a psicóloga, professora e doutora Andréa Barbosa de Albuquerque, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Ainda com base nas experiências obtidas junto ao projeto, André conta que é comum esse tipo de abuso ocorrer com alguma frequência em cidades próximas a Belém. “Na capital também ocorre, mas acontece principalmente nas cidades vizinhas. Em geral, são práticas feitas por parentes ou pessoas próximas da vítima, raramente os abusadores são pessoas estranhas a ela. E, ao contrário do que a mídia massifica, nem todo abuso é acompanhado de uma ação violenta ou com brutalidade. A sedução, a imposição do desejo do adulto sob o desejo da criança, também é uma forma de violência, ainda que não física”, analisa Barreto.
(Diário do Pará)
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