Inaugurada em setembro de 2013, a nova Santa Casa já apresentaria problemas estruturais. A edificação, que custou R$ 170 milhões, segundo o Sindicato dos Servidores Públicos Civis do Pará (Sepub), apresenta rachaduras, infiltrações e tem elevador com problema.
Para o Sepub, que pediu a realização de vistorias por parte de diversos órgãos de segurança e engenharia, os problemas são numeroros. Segundo o presidente da Associação dos Servidores da Santa Casa, Flávio Roberto, há tempos os trabalhadores denunciam as irregularidades que cercam a maior maternidade pública do Estado. “Está acontecendo muita coisa errada ali dentro. Problemas tanto no prédio novo quanto no prédio centenário”, frisou.
A princípio, alguns problemas enfrentados nas duas edificações são até comuns, como no caso de infiltrações. “O prédio centenário está abandonado, cheio de mofo, goteiras e infiltrações. Apenas o laboratório está funcionando no local e em condições precárias”, denuncia. Também há presença de rachaduras nas paredes do novo prédio.
No quinto andar, no último dia 14 de janeiro, houve um aquecimento no sistema de refrigeração da Unidade de Cuidados Intermediários (UCI). O caso foi confirmado pelo hospital e os bebês chegaram a ser transferidos para outra área. “Desde que inaugurou, já foram três focos de incêndio. O último foi este deste mês”, pontuou Flávio.
Também no início deste mês, a tubulação estourou e a recepção e os corredores ficaram alagados, segundo ele. “A parte hidráulica do prédio é comprometida. Um cano já estourou e foi o maior problema”, disse o presidente da associação.
A Santa Casa alega que não há riscos para usuários e servidores. Em nota, o hospital confirma a existência de “fissuras de movimentação devido as novas ocupações no prédio”.
Sobre os alagamentos, o hospital também confirmou o rompimento na tubulação no 2º andar e informou que o problema se deu por uma sobrecarga no abastecimento, que estava com a bomba desregulada.
Pedidos
No último dia 15, o Sepub encaminhou pelo menos quatro ofícios para órgãos de fiscalização, segurança e engenharia nos quais informa o cenário em que se encontra a Santa Casa. A solicitação foi encaminhada para o Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público Estadual (MPE), Corpo de Bombeiros e Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-PA).
Nos documentos, o sindicato pede que sejam feitas vistorias no prédio, sobretudo na área da cozinha, onde alguns servidores teriam sofrido acidentes provocados por uma irregularidade no piso.
Respostas
Em nota, o Crea-PA confirmou que recebeu o pedido do Sepub, mas disse que compete ao conselho apenas fiscalizar o exercício dos profissionais. O Crea fará um levantamento interno para verificar se os profissionais que participaram do projeto e da execução da obra estão em situação regular.
A assessoria do MPE informou que até o momento não havia recebido nenhum documento do Sepub. Já a assessoria do MPF informou que recebeu as acusações e que elas estão em fase de análise pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão, Alan Rogério Mansur Silva. Em breve, o MPF divulgará as medidas a serem tomadas. A assessoria do Corpo de Bombeiros disse que a Diretoria de Serviços Técnicos liberou o documento que regulariza todas as dependências da Nova Santa Casa.
Pai de recém-nascido acusa hospital de omissão
Os pais de um recém-nascido fizeram um Boletim de Ocorrência Policial contra a Santa Casa no qual denunciam uma suposta omissão da equipe médica, que teria demorado a tratar de uma luxação na perna do bebê. O menino nasceu na tarde da última segunda-feira, mas, segundo a acusação, apenas à noite, quando os avós do bebê foram visitar o neto e a mãe, Antônia Gleice Dias Monteiro, é que ficaram sabendo do problema e, até então, nada tinha sido feito para tratar a luxação.
O pai da criança, Pedro Dias, ressalta que todos os exames de pré-natal indicavam que o menino nasceria saudável e se queixa da falta de informações por parte da equipe médica, que, segundo ele, não esclareceu como a luxação aconteceu.
Pedro comenta que o filho nasceria de parto cesariano e o procedimento estava marcado para a última segunda-feira.
Cesárea
Segundo ele, quando a mãe deu entrada na Santa Casa, “os médicos a atenderam rapidamente e, quando escutaram o coração do bebê, disseram que estava com sofrimento fetal e então fizeram a cesárea”, relatou.
“Eu tenho guardados as ultrassons que foram feitos e que apontavam um menino saudável”, acrescentou o pai. De acordo com Pedro, o bebê nasceu por volta das 17h30.
À noite, neste mesmo dia, os avós visitaram o neto que acabara de nascer. “A minha sogra viu uma mancha vermelha na perna dele. Quando questionou a enfermeira, ela respondeu que se tratava de uma luxação. Toda vez que tocava em cima, o meu filho gritava e chorava de dor”, disse.
“No dia seguinte (28), a minha esposa me ligou e disse que o fêmur do menino estava fraturado. Os médicos e a Santa Casa omitiram um caso grave”, se indignou. Ao receber esta informação da companheira, Pedro fez um Boletim de Ocorrência na Delegacia do Comércio e solicitou um exame de corpo delito.
“Eu só quero que entendam a minha indignação pela falta de respostas e de o hospital não dizer para a gente sobre o que aconteceu”, disse o pai da criança, que continua internada e está com a perna esquerda engessada.
Em nota enviada à RBATV, a Fundação Santa Casa do Pará informou que, quando Antônia Dias deu entrada na maternidade, apresentava o diagnóstico de sofrimento fetal e foi encaminhada ao centro cirúrgico para uma cesárea de urgência. O bebê apresentava posição pélvica.
Sobre a acusação do pai, a Santa Casa comunicou que os primeiros exames feitos no recém-nascido diagnosticaram uma luxação no quadril do bebê e que Antônia, mãe do menino, foi informada da situação. A nota diz também que foram feitos exames de ultrassom e raio-x na criança e que o hospital está tomando todas as providências para a melhora do quadro.
(Diário do Pará)
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