Anunciado em 2012 como um novo sistema a ser implantado para agilizar o transporte público na capital paraense, o Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), em Belém, é um sonho que está longe de se tornar realidade. Atrasos, mudanças e irregularidades desacreditam um projeto que está sendo bem recebido em outras cidades do Brasil e do mundo.
O BRT consiste em um modelo de veículos articulados - e até biarticulados - que trafegam sobre canaletas específicas com paradas em estações adaptadas para o rápido embarque e desembarque de passageiros.
O projeto da prefeitura de Belém recebeu R$ 498 milhões iniciais do governo Federal e, no ano passado, um outro contrato de financiamento, para a retomada das obras, no valor de R$ 314 milhões, foi firmado com a Caixa Econômica Federal.
Devido os atrasos e a falta de transparência nos processos licitatórios, Câmara Municipal de Belém aprovou, no final de 2013, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as inúmeras irregularidades no BRT, apontadas pelo Ministério Público Estadual (MPE), Ministério Público Federal (MPF), Tribunal de Contas do Município (TCM) e Tribunal de Contas da União (TCU).
As mudanças no projeto trouxeram a retirada das muretas e das estações, além da reconstrução do piso de concreto e da construção de dois elevados no Entroncamento.
Após 22 meses de execução, o BRT Belém é apontado como um dos mais atrasados do país e já teve inúmeras datas para inauguração, sendo que nem mesmo a primeira etapa foi concluída.
Como forma de amenizar as críticas da população, a prefeitura lançou mão, na manhã desta sexta-feira (31) de uma nova estratégia: liberar as canaletas para ônibus de linhas expressas na avenida Almirante Barroso.
No entanto, inconformados com a situação, a população usou a internet para se manifestar a respeito. "BRT tosco entregue sem sinalização; incompleto; ausência de passe único; acessibilidade péssima; sem estação integradora", diz Marcelo Lopes.
(DOL)
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