Mesmo em horários que não são considerados de ‘pico’, a situação já era complicada. Não faltavam motoristas insatisfeitos com a inauguração, pois os condutores que trafegam na avenida disseram que, na prática, o transtorno não diminuiu. “Não vejo mudança alguma. Se gastou tanto dinheiro, dinheiro nosso, e no mínimo deveríamos usufruir um pouco mais de conforto. O estresse continua, muito mais agora, olhando para isso, sem utilidade”, avalia Maurício Costa, autônomo.
“Na verdade, continua na mesma. A maior parte da frota ainda divide a Almirante. Imagino que nos horários de entrada e saída do trabalho e escolas a coisa não deve mudar”, afirma Thiago Moraes, contador.
A dona de casa Priscila Holanda não conseguia apontar mudanças na prática para os usuários do serviço de transporte coletivo, pois “é difícil [ver] passar ônibus na pista exclusiva”. Ela acredita que “os próximos dias possam melhorar”.
MOBILIDADE
Durante a tarde de ontem, o DIÁRIO flagrou outras situações que ferem a mobilidade urbana, como a falta de acessibilidade na pista para pessoas com deficiência física. A diferença na altura das duas pistas em alguns trechos da via dificulta a passagem desses pedestres, assim como idosos e crianças precisam redobrar a atenção ao dividir o mesmo espaço com os ciclistas. “Pra gente passar, tem que ficar prestando atenção, quando não é a bicicleta, é o ônibus, para depois tentar passar no semáforo”, comentou a cozinheira Maria de Fátima.
Outro flagrante foi em relação a muitos ciclistas que ainda não se acostumaram com o espaço disponibilizado para eles. Segundo Cláudio de Oliveira, esses condutores acabam dividindo o mesmo espaço com os ônibus expressos, outros ainda desrespeitam e causam riscos à própria vida saindo desse espaço para a pista da avenida.
Apesar de 30% da frota de 19 linhas de ônibus da Região Metropolitana de Belém estarem circulando na via expressa, muita gente está insatisfeita devido à paciência que precisa ter, à espera do coletivo, já que 120 veículos não terão paradas de embarque e desembarque no trecho São Brás - Entroncamento.
“Não há placa nem ninguém que explique como isso está funcionando”, reclamou Maria de Fátima, que afirma que não encontrou a equipe de orientação da Superintendência de Mobilidade Urbana (Semob), que deveria atuar em torno do corredor exclusivo, embora a Semob tenha divulgado que os agentes “ajudavam a controlar o tráfego da avenida Almirante Barroso”.
(Diário do Pará)
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