É uma obra capenga, incompleta. É tudo menos o BRT. Esse ônibus expresso é uma invenção do Zenaldo”. Assim reagiu a vereadora Sandra Batista (PC do B) à inauguração feita ontem pelo prefeito Zenaldo Coutinho do que chamou de primeira etapa do BRT. “Antes de mais nada, o BRT não é apenas uma obra física, mas sim uma concepção de transporte e isso que foi entregue é apenas um arremedo”, coloca a vereadora, que é a autora da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que pretende investigar a maior obra de transporte da região metropolitana.
Segundo ela a grande questão a ser respondida é porque os Ministérios Públicos Estadual, Federal e a própria Caixa Econômica Federal autorizaram a continuidade de uma obra eivada de irregularidades desde a sua concepção. “Depois que entrou no governo o Zenaldo assinou um Termo de Ajustamento de conduta com o MPE, MPF e Caixa para dar continuidade à obra, recebendo R$ 314 milhões de recursos do FGTS para o projeto da Almirante Barroso até o Entroncamento, mantendo a Andrade Gutierrez como executora da obra”, coloca.
A vereadora do PC do B diz que o projeto original do BRT prevê ônibus articulados e exclusivos, linhas alimentadoras, estações ao longo do percurso e terminais de integração. “Alguma coisa disso foi entregue? O que não dá é para fazer propaganda enganosa para ludibriar a população. Isso que foi entregue está muito longe de ser o BRT”, dispara Sandra, criticando o fato que a Câmara de Belém nunca foi consultada acerca do projeto.
Para o vereador Dr. Chiquinho (Psol), a obra deveria ser entregue completa para que a população pudesse auferir todos os benefícios. “Acho que entregar a obra da Almirante Barroso ao Entroncamento não resolve. Moro na Augusto Montenegro e vejo diariamente acidentes e muitos com vítimas fatais. Ainda não sabemos quando o BRT vai passar por lá. Sem a ligação Almirante Barroso-Augusto Montenegro o BRT não existe”, critica.
Ele critica ainda a exclusão provocada pela obra. “O BRT privilegia carros e ônibus, deixando pedestres e ciclistas em situação bem difícil, já que foi concebido sem ciclofaixas. Ao invés de melhorar, a caba deixando a população mais intranquila e insegura”, critica.Na avaliação do deputado estadual Parsifal Pontes, a obra entregue pelo prefeito ontem é “uma via expressa muito mal ajambrada”. Ele critica a forma que o projeto vem sendo desenvolvido. “Pegar milhões em recursos para entregar isso? Bastava isolar a pista, pintar e colocar aquelas pequenas muretas amarelas. O que o prefeito entregou é apenas uma via expressa de R$ 500 milhões”.
Para o peemedebista, não adianta o atual prefeito criticar os erros do seu antecessor. “O Zenaldo continuou a obra e manteve a mesma empresa de antes. Apenas o tempo dirá se essa via expressa entregue hoje (ontem) ajudará alguma coisa no trânsito. A quantidade de veículos transitando será a mesma e várias linhas de ônibus foram isoladas no centro da Almirante Barroso. Como ficará quem pega coletivo ao longo da via?”, questiona.
(Diário do Pará)
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