Servidores públicos do Pará saem às ruas hoje para protestar contra decretos do governo Simão Jatene que estão provocando arrocho na remuneração dos funcionários do Estado. A concentração será a partir das 8h, em frente à Secretaria de Estado de Administração (Sead). “Vamos exigir a revogação dos decretos”, diz o presidente da Federação dos Servidores Públicos do Estado do Pará, Valdo Martins.
Os decretos a que Valdo se refere cortam vantagens – algumas incorporadas à remuneração dos servidores há mais de uma década – e preocupam também porque tendem a dificultar as negociações em torno da data base dos servidores públicos que é 1º de abril.
O primeiro decreto, do dia 14 de janeiro, proibiu contratações, reestruturação de órgãos e aumento de despesas com pessoal, o que na prática significa que não devem ser implantados Planos de Cargos Carreiras e Remuneração negociados com várias categorias de servidores públicos.
O segundo decreto é do dia 24 e determinou o corte da Gratificação de Tempo Integral (GTI), uma parcela da remuneração paga aos profissionais que precisam ficar mais tempo no local de trabalho. Para muitos servidores, a GTI já era parte do orçamento familiar, o que gerou a grita geral.
Horas Extras
O decreto também proíbe o pagamento de horas extras. “O governo sinaliza que mal pagará as perdas com a inflação, mas precisamos lutar por ganho real”, afirma Martins. Segundo ele, as perdas salariais dos servidores públicos, acumuladas desde os anos 90, chegam a cerca de 70%.
A manifestação deve reunir servidores da Fazenda, Saúde, Justiça, Universidade do Estado e até policiais. “Houve um acordo com o governo no ano passado (com os servidores da Polícia Civil) , mas os cortes afetaram o pessoal da área administrativa”, explica.
O governo justificou as medidas alegando que houve queda nos repasses do Fundo de Participação dos Estados (FPE). Alega que teria perdido R$ 700 milhões em três anos, mas o fato é que esses valores se referem à expectativa de crescimento. Em números absolutos, os repasses do FPE até cresceram e mesmo quando se considera a inflação do período não chegou a haver queda nominal dos repasses.
A desconfiança em torno das medidas é maior porque o governo tem propagado que a arrecadação própria cresceu 30%. A suspeita é de que o arrocho seja resultado de um inchaço da máquina administrativa. O Pará tem hoje 84 órgãos da administração direta e indireta e cerca de 3,4 mil servidores exclusivamente comissionados. Só com assessores especiais, as despesas somam quase R$ 20 milhões por ano.
Com o corte da GTI, o governo anuncia que pretende economizar R$ 60 milhões e garante que o impacto para os servidores seria pequeno já que atingiria em torno de 4% dos 106 mil servidores.
(Diário do Pará)
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