Lama e buracos fazem parte da realidade de muitos moradores de Ananindeua, região metropolitana de Belém. Com as chuvas, a situação se agrava e os alagamentos se tornam constantes. Falta de saneamento básico e esgotamento sanitário transformam a vida da população de áreas periféricas ainda mais difíceis. É assim em pelo menos dois bairros visitados pela reportagem do DIÁRIO durante a chuva da tarde de ontem.
Há 21 anos morando na área em que o acesso é mais complicado na Rua Belo Horizonte, do bairro Levilândia, próximo à BR-316, o torneiro mecânico Valdo Conceição, 42 anos, afirma que o descaso é histórico. “Nas eleições o prefeito [Manoel Pioneiro] veio aqui, se reuniu com a gente e prometeu que se fosse eleito a primeira rua a receber as máquinas para asfaltamento seria a nossa. Até agora nada”, contou indignado.
Valdo trabalha em uma oficina na mesma rua em que mora. Para se deslocar de casa até o trabalho ele usa uma bicicleta. “Venho me equilibrando para não cair. Já vi muita gente se acidentar aqui. Tem tempos que o carro do lixo não entra, temos que deixar nossas sacolas na esquina. Táxi nem pensar”, reclama.
Para chegar até o local, o carro usado pela equipe do DIÁRIO caiu em um buraco e ficou preso. Com a ajuda dos moradores e muito esforço foi possível retirá-lo, não sem antes banharem-se de lama. “O carro do meu pai sempre dá problema. Tem dias que nem conseguimos sair de casa. Algumas casas enchem, e ficam completamente alagados. Estamos pensando em fechar a BR para chamar atenção do prefeito, já que a comunidade protocolou vários ofícios e nada”, disse o estudante Luiz Renato Marques, 22 anos.
Curuçambá
No Curuçambá, bairro periférico da cidade, a situação não é muito diferente. A rua Castanheira está intransitável. O local é rota de trabalho de pessoas como o Bremer Brelaz, empresário, 22 anos. Ele abordou a equipe no local enquanto tentava atravessar um buraco alagado que quase cobriu as rodas do veículo. “Esse é o meu trajeto, fica inviável ir por outras ruas porque demoraria meia hora a mais para chegar ao meu local de trabalho. Em três meses meu caro já deu problema e tive que desembolsar cerca de R$ 800”, contou.
O pintor Charles Rangel de 35 anos mora com a esposa e três filhos em frente a parte mais complicada da rua, a mesma em que por pouco Bremer não ficou atolado. Segundo ele, uma obra de tubulação teria começado pela prefeitura, mas não foi concluída. Os tubos de concreto estavam no local, encostados próximo à via - e pelo aspecto já deveriam estar ali há algum tempo. “Eles mexeram e nunca mais voltaram. Agora estamos aqui, com toda essa lama”, disparou.
A assessoria de comunicação da PMA foi procurada para esclarecer as denúncias, mas até o fechamento desta edição não respondeu à solicitação do DIÁRIO.
(Diário do Pará)
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