A água turva que escorre da tubulação e deságua em um estreito canal iniciado na Rua Joaquim Fonseca é apenas um dos indícios de que a obra de saneamento, iniciada ainda em 1996 no bairro do Castanheira, em Belém, até hoje pode não ter sido concluída. Intitulado ‘Programa Social em Saneamento’ (Prosege), o projeto criado pelo Governo Federal para levar saneamento à população de 185 municípios brasileiros previa, em Belém, atender aos moradores dos bairros Curió-Utinga, Castanheira e Guanabara.
Morador do bairro e integrante da comissão de comunicação da Associação de Moradores do Bairro do Castanheira (AMBC), Ribamar Froz explica que o projeto foi criado ainda quando o atual governador do Estado do Pará, Simão Jatene, era secretário de planejamento no governo de Almir Gabriel. “O projeto está tudo encanado aí em baixo (da rua), mas ele nunca foi concluído”, afirma. “A população desavisada começou a fazer a ligação de suas fossas aí nas bocas da tubulação do projeto sem ele estar terminado, então, quando chovia, os dejetos transbordavam pelas tampas porque estava tudo entupido”.
Segundo Ribamar, mesmo que já tenham transcorrido 18 anos desde o início da implantação do projeto, os moradores da região ainda padecem com a interrupção das obras antes da conclusão definitiva.
“O projeto foi financiado pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) em cerca de US$ 11 milhões com o objetivo de proteger os mananciais do Bolonha e Água Preta que abastecem a população de Belém, mas nunca foi concluído”, reclama Froz, ao denunciar que a associação já tentou, por diversas vezes, uma explicação do governo sobre a da situação do projeto. “Agora o Governo do Estado anunciou em 15 de janeiro que vai investir R$ 107 milhões em estação de tratamento de esgoto em Marabá e o Prosege está aqui enterrado há 18 anos, 15 anos apenas na gestão do PSDB”.
Verbas pelo ralo
Ainda na Rua Joaquim Fonseca, uma das que ainda não possui asfalto no bairro, a estação que, segundo a AMBC, serviria de sistema de coleta de esgoto da região está tomada pelo lixo e pela água empoçada. “Aqui seria o sistema de coleta que jogaria os dejetos para tratamento na estação da Marambaia. Seria a caixa coletora do bairro”, afirma. “Hoje a água vai parar lá no Bolonha. Disseram que iam fazer a reconstrução do projeto a partir dessa obra da [avenida] João Paulo II, mas e todo esse dinheiro que já foi investido?”, questiona.
(Diário do Pará)
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