Representantes dos conselhos de três escolas estaduais de Santarém denunciaram ao Ministério Público do Estado as condições precárias da infraestrutura dos prédios das escolas Frei Othmar, Wilson Fonseca e Barão do Tapajós, que podem comprometer o início do ano letivo. Foram citadas mais cinco escolas estaduais que também apresentam problemas.
A promotora de justiça Maria Raimunda Tavares, que responde pela promotoria de justiça de Educação e Saúde, requisitou à Secretaria de Estado de Educação (Seduc) cópia integral dos processos licitatórios de reforma dos prédios, e ao Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), informações sobre a regularização das empresas que fizeram as reformas, para verificar se estão de acordo com as normas técnicas. O Crea deve encaminhar relatório ao MP no prazo de 20 dias.
A escola Maestro Wilson Fonseca matriculou 1.372 alunos em 2013 e ainda está matriculando. A placa da obra estabeleceu prazo de 31 de janeiro para a conclusão dos serviços e o início das aulas está previsto para 24 de fevereiro. Porém, o prédio não possui condições mínimas para aulas e não há planejamento da Seduc para o remanejamento dos alunos.
Já a escola Barão do Tapajós contava com 359 alunos em 2013. Segundo o representante do conselho, “a escola encontra-se literalmente no chão, funcionando somente a parte administrativa”. Já foi feita reunião com o representante da Seduc, sem qualquer resposta até hoje. Na escola Frei Othmar, a estimativa é de 890 alunos este ano. A escola está com 50% das salas de aula comprometidas e não há informação da Seduc de como será o ano letivo. Os representantes citaram problemas semelhantes nas escolas estaduais Ezeriel Mônico de Matos, Gonçalves Dias, São Felipe, Felisbelo Jaguar Sussuarana e Álvaro Adolfo da Silveira.
Queda de muro
As escolas literalmente são a expressão do ditado popular “estão caindo aos pedaços”. A educação em Santarém vem sendo vítima de situações como atraso de reformas e obras e a falta de cumprimento de acordo com educadores, mas percebe-se que esse estágio de abandono chegou ao limite. Foi o que ocorreu na segunda-feira, 3, quando o muro de aproximadamente cinco metros do colégio Barão do Tapajós caiu e felizmente não feriu ninguém.
A escola é uma das mais antigas de Santarém, no bairro Laguinho, um dos primeiros da cidade. Com os ventos provocados pela chuva na segunda-feira e o peso da placa que anuncia a reforma no colégio, o muro cedeu. Com os alunos de férias e a obra parada, assim como em diversas escolas estaduais na cidade, ninguém se feriu. A vice-diretora do colégio, Dinalda Tapajós, acredita que o governo deve se sensibilizar e solucionar os problemas de estrutura do colégio. “Um susto! A infraestrutura estava bem comprometida, graças a Deus que não tinha ninguém por perto”, diz a educadora. Para iniciar as aulas no dia 24 de fevereiro, os alunos terão que estudar no vizinho Colégio Estadual Felisbelo Sussuarana até que as obras terminem.
A educadora desabafou, ao ver as condições da escola onde dedica anos da sua vida caindo aos pedaços: “Vejo é um descaso com a educação, com a população e com a comunidade escolar. Falta de responsabilidade do governo, que deveria olhar com mais carinho porque sabemos que os recursos que vêm para a educação são suficientes para fazer uma escola de qualidade”, finaliza Dinalda.
Seduc atrasa aluguel e escola pode ser despejada
Alunos e professores da Escola de Ensino Fundamental e Médio Dom João VI, em Capanema, vivem um novo drama, após já terem sido transferidos da sucateada sede oficial da instituição, onde um curto circuito causou a interdição do local pelo Corpo de Bombeiros, para um prédio alugado pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc). Agora, por inadimplência do Governo do Estado, eles correm o risco de ser despejados.
Desde 2010 que o corpo docente e os estudantes da Escola Dom João VI enfrentam sérios problemas devidos às más condições de estrutura das instalações. Ao longo de três anos foram sucessivos curtos-circuitos no sistema elétrico, com mais de 40 anos de uso, mas sem nunca ter passado por uma manutenção geral.
Entretanto, em agosto de 2013, o maior deles, quase promove um incêndio na escola, de onde professores, servidores e alunos saíram às carreiras, transtorno que motivou manifestação em seguida, para protestar contra o descaso perante os permanentes pedidos de reforma geral, feitos pelos responsáveis pela instituição junto à Seduc.
Descaso
Não bastasse a falta de interesse já demonstrada, com o início da greve dos profissionais da Seduc em setembro, aí que nenhuma providência foi tomada pelo Governo do Estado. Diante da inércia, a diretoria da escola e os professores se juntaram para tomar uma atitude, indo até a Assembleia Legislativa (Alepa), onde conseguiram junto ao parlamento que o Estado arcasse com o aluguel de um prédio para o funcionamento das aulas, até que o prédio da Escola Dom João VI fosse reformada e entregue à comunidade.
Sem solução
A contar somente de agosto, quando houve o curto-circuito que ocasionou a interdição do prédio, já se está entrando no sexto mês e sequer a placa foi colocada em frente onde deveria estar sendo feita a obra. Segundo a diretoria e os professores, a Seduc informou que há recursos para a reforma geral da escola, entretanto, o processo esbarra em um item capaz de inviabilizar a realização: não escritura do terreno da instituição que este ano completa 41 anos de fundada.
Para completar, até então, a Seduc nunca se manifestou em nenhum momento para viabilizar a solução para o problema. “Assim como para conseguir atenuar o problema através do aluguel de um prédio para funcionamento provisório da escola, que é papel da Seduc e não nosso, e nós que o fizemos, o mesmo está ocorrendo em relação ao reconhecimento do terreno onde foi construída a escola. Nós, professores e diretores que estamos indo ao Iterpa, tentando descobrir quem é então o proprietário do terreno”, revelou o professor Neidson Cláudio Vieira, um dos integrantes da comissão empenhada na solução do problema.
O professor Neidson contou ainda que uma das maiores preocupações do grupo é o fato de março ser o prazo estipulado para dar início ao processo de reforma da escola por se tratar de ano eleitoral.
Aluguel atrasado
Com o acordo feito e o final da greve dos professores, a escola voltou a funcionar em 18 de novembro, no prédio locado pelo Estado, na avenida Barão de Capanema, onde, além das condições inadequadas das instalações cuja energia elétrica só funciona uma fase e há esgoto a céu aberto exalando mal cheiro, atualmente, uma recente mazela passou a atormentar professores e alunos: a inadimplência da Seduc com o locador do imóvel, pelo segundo mês. “São muitos os transtornos causados por esta situação. Os alunos ouvem nas ruas que vão ser despejados e comentam com os pais, que ficam preocupados. Há ainda uma situação constrangedora entre eu e o locador, que diz ponderar por consideração a mim, dado a amizade. Enfim, é mais uma situação dificílima que estamos enfrentando”, concluiu a vice diretora da escola, professora Ângela Maria Silva.
(Diário do Pará)
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