A balconista Selma Cardoso, 34, tem pelo menos três dívidas antigas com lojas e bancos. Com os juros, ela não conseguiu cumprir com os compromissos e as contas foram parar no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), que a deixou inadimplente. “Mesmo tendo trocado de emprego, há dois anos, ainda não consegui pagar tudo que devo”, comenta.
Segundo o SPC Brasil, cerca de 30% dos brasileiros estão com dividas. E se engana quem aposta que a falta de dinheiro para quitar as dívidas é a justificativa. Segundo estudos realizados pela instituição durante o ano passado, a inadimplência se dá por conta dos maus hábitos financeiros da população.
Ao longo de 2013, os quatros estudos feitos por especialistas com base em pesquisas aplicadas em várias capitais que atingiram de 650 a 1.200 brasileiros focados na educação financeira, acreditam que comportamentos impulsivos de compra e falta de planejamento são encontrados em todas as classes sociais.
Segundo a economista do SPC Brasil, Luiza Rodrigues, entre os adimplentes, 83% pesquisam preços antes de comprar, enquanto que apenas 61% dos inadimplentes possuem este costume. Aproximadamente 76% das pessoas que têm bom comportamento financeiro elaboram lista do que é necessário antes de ir ao supermercado, uma diferença de 17% em comparação aos inadimplentes.
“De maneira geral, existe um descontrole financeiro até mesmo entre pessoas com renda elevada. A inadimplência está ligada a maus hábitos e não necessariamente à falta de dinheiro”, analisa Rodrigues.
Pesquisas
Em dois estudos do ano passado sobre educação financeira e comportamento de consumo no Brasil, 88% dos brasileiros se declaram “muito controlado ou moderado em relação aos hábitos de compra”.
Para ela, esse hábito pode vir de vários âmbitos, seja da convivência familiar, um trauma oriundo de uma conta altíssima, relacionamento conjugal, dentre outros aspectos. “Muitos brasileiros seguem a linha do ‘faça o que eu digo e não o que eu faço’, por isso, acabam não reconhecendo o descontrole. Na verdade, são hábitos simples que fazem toda a diferença”, acrescenta a economista.
No caso do funcionário público Wellington Frazão, 25, ele teve o nome restrito no SPC uma única vez devido à confiança depositada em um amigo e hoje, a dívida atinge a casa dos R$ 24 mil. “Emprestei o nome para um amigo fazer um consórcio de carro. Ele não pagou todas as prestações, devolveu o veículo e fiquei numa situação complicada”, detalhou.
Segundo Frazão, ele toma todos os cuidados para evitar ter o nome “sujo” na praça. “Parcelo no máximo de três vezes, evito fazer muitas dívidas, anoto tudo que gasto e separo uma quantia para a poupança. A partir do momento que passei a controlar os meus gastos, tive consciência qual o destino dele”, comenta o funcionário público, que hoje busca, via judicial, retirar o nome do SPC.
Para ter bons hábitos financeiros
- Anotar tudo o que gasta, já que muita gente se perde no quanto gastou.
- Nunca ter mais de um cartão e sempre pagar o total da fatura, evitar o acumulo de juros.
- Evitar parcelamentos longos.
- Utilizar o 13º como poupança e não como “salvador da pátria”, uma vez que 42% dos adultos revelaram não ter dinheiro guardado.
- Nunca emprestar o nome para outra pessoa utilizar na compra de algo que não é essencial.
(Diário do Pará)
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