No momento em que o comerciante Fábio Batista se preparava para assistir um filme, um barulho do lado de fora lhe chamou atenção. Ainda que a grade instalada na entrada de casa tenha impedido o acesso dos assaltantes à parte interna da residência, o susto causado pela presença dos homens já foi o bastante para que ele constatasse que apenas o muro de quatro metros de altura não era suficiente para garantir a segurança da família. “Depois disso a gente teve que se prevenir mais”, afirmou.
Com a casa já rodeada por cerca elétrica e monitorada por câmeras, o comerciante admite que teve um custo financeiro razoável para tentar inibir a presença de novos criminosos, porém, acredita que o investimento é necessário. “O custo é alto, fora a mensalidade que precisamos pagar para que se faça a manutenção, mas é preciso, vale a pena”, acredita, ao lembrar de outro caso recente que exemplifica a insegurança presenciada no bairro de São Brás, onde mora. “Em dezembro aconteceu um assalto a mão armada na porta de casa. Alguns amigos meus estavam lá me esperando chegar do trabalho por volta de 18, 18h30 e foram assaltados lá na frente”.
Para que conseguisse instalar o sistema de segurança escolhido em casa, com câmeras e cerca elétrica, Fábio lembra que foram necessários cerca de R$3 mil, fora os R$90 pagos mensalmente pela manutenção. “A gente já paga pelos nossos impostos, não tem segurança e ainda tem que pagar para instalar esse tipo de coisa pra ver se consegue ficar um pouco mais protegido”, considera. “O sistema de segurança é necessário, mas além do custo com a manutenção, ainda tem aumento de gasto com a energia para que as câmeras e a cerca fiquem ligadas. O poder público é que deveria nos dar segurança”.
Ainda que, felizmente, nenhum caso de tentativa de invasão tenha acontecido com a família, a empresária Ieda Reis se antecipou ao instalar o que houvesse disponível no mercado para proteger a residência instalada no Conjunto Catalina. “Antes que acontecesse qualquer coisa, mandamos instalar as câmeras, a cerca elétrica, o interfone e o sensor de movimento”, enumera. “Essa aqui era uma área muito perigosa na época e, como viajamos bastante, resolvemos nos precaver”.
Da mesa instalada na cozinha do imóvel, a empresária tem a visão de tudo o que acontece na rua e na entrada da casa. Sem que o monitor seja desligado em nenhum momento, ainda que ninguém esteja assistindo a movimentação no momento, tudo o que acontece fica gravado no computador da família. “Por aqui a gente consegue ver todo mundo que passa na rua, então, quando estamos por aqui, ficamos o tempo inteiro observando. Quando a gente viaja e volta, a gente também assiste a gravação pra saber se aconteceu alguma coisa”, comenta, sem esconder que a família já pensa em instalar uma terceira câmera na entrada da casa.
“A gente já tem o sistema há mais de três anos e se ficar sem, já sente falta. É um investimento alto para algumas pessoas, mas vale a pena. Muitos vizinhos vem pedir uma indicação pra gente porque também têm vontade de colocar essa segurança a mais na casa deles”.
Necessidade do cliente determina gastos
Sem que a utilização de equipamentos eletrônicos se restrinja, hoje, às grandes indústrias e comércios, a empresa Vigia Eletrônico já consegue manter um equilíbrio entre os clientes donos de empresas e os residenciais. Segundo o gerente comercial da empresa, Bruno Fernandez, eles costumam receber mais de 50 ligações mensais de pessoas interessadas em instalar sistemas de segurança em residências. “Antes a segurança eletrônica era mais voltada para grandes empresas, mas hoje, com o aumento da violência, isso acabou passando para as famílias que pretendem se proteger dentro da própria casa”, considera. “Hoje o serviço está mais acessível para as casas e a tendência é aumentar a procura”.
De acordo com Bruno, para o serviço básico de instalação de quatro câmeras em uma residência, o investimento é de cerca de R$800 para a instalação e de R$150 mensais para a manutenção do serviço. Como padrão, as residências têm exigido sistemas que agregam o uso de câmeras de segurança, cercas elétricas e sensores de movimento. “Em 90% dos casos residenciais isso é o suficiente. É claro que nunca se pode ter 100% de segurança, mas isso já diminui consideravelmente os riscos. É o padrão”, considera, ao explicar que os equipamentos são apontados de acordo com a necessidade do cliente. “Se faz um orçamento de acordo com o local identificando a posição dos sensores a partir das áreas de acesso e as câmeras em locais de maior circulação de pessoas ou onde estão os maiores valores da casa”.
(Diário do Pará)
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