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Vacinação contra HPV começa em 10 de março

O câncer provocado pelo vírus HPV (Human Papiloma Vírus, ou papilomavírus humano, em português) na pele e nas mucosas genitais (vulva, vagina, colo do útero e pênis) é a segunda maior causa de morte em mulheres no mundo. Além de causar escoriações, o HPV

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O câncer provocado pelo vírus HPV (Human Papiloma Vírus, ou papilomavírus humano, em português) na pele e nas mucosas genitais (vulva, vagina, colo do útero e pênis) é a segunda maior causa de morte em mulheres no mundo. Além de causar escoriações, o HPV está diretamente ligado ao desenvolvimento do câncer de colo do útero. A doença fica atrás apenas do câncer de mama e faz mais de 250 mil vítimas por ano.

O Instituto Nacional do Câncer estima que, neste ano, cerca de 580 mil novos casos de câncer vão surgir no Brasil. Para a população feminina da região Norte, o fantasma que assombra é o câncer de colo de útero, responsável por 24 casos em cada 100 mil habitantes. O tipo de doença ocupa o terceiro lugar geral no Brasil. As regiões Centro-Oeste (22 casos/100 mil) e Nordeste (19 casos/100 mil) ocupam a segunda posição geral em número de incidência. Na região Sudeste (10 casos /100 mil) é o quarto, e na região Sul (16 casos /100 mil), o quinto mais incidente.

No Brasil, a estratégia de rastreamento é que as mulheres dos 25 aos 64 anos façam o exame preventivo (Papanicolaou) a cada três anos, após dois exames com intervalo de um ano, com resultado normal.

Mas a maior ação para reduzir a trágica incidência foi anunciada na semana passada pelo Ministério da Saúde: o sistema público de saúde vai vacinar, gratuitamente, cerca de 4 milhões de meninas de 11 a 13 anos contra o vírus papiloma humano (HPV). A campanha nacional de vacinação começa no dia 10 de março deste ano. A vacinação ocorrerá nas 36 mil unidades de saúde espalhadas por todo o país e em escolas públicas e privadas. Para receber a dose, as meninas precisarão apresentar autorização dos pais ou responsáveis. A partir de 2015, a vacinação vai abranger meninas dos 9 anos até os 11. A imunização ocorrerá de forma estendida – a segunda dose da vacina será aplicada seis meses depois da primeira; a terceira dose, cinco anos após. Esta população de meninas a serem imunizadas chega a mais de 10% dos moradores da região Norte.

Nos dois maiores municípios do Pará – Belém e Ananindeua – a incidência de câncer de colo de útero é a maior entre as demais formas da doença. Uma média de 26,97 casos para cada 100 mil habitantes. O câncer de mama afeta pouco mais de 20 para cada 100 mil habitantes da população dos dois municípios somada. “Nós pretendemos vacinar 80% das meninas de 11 a 13 do Brasil com a campanha contra o Câncer de Colo do Útero, o terceiro que mais atinge as mulheres. Para isso a vacina estará disponível nos 36 mil postos de saúde e escolas da rede pública durante todo o ano”, afirmou o ainda ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Ele deixa o posto nesta segunda para concorrer ao governo de São Paulo, pelo PT.

O Ministério da Saúde também vai incentivar, ao longo de todo o ano, as secretarias estaduais e municipais de saúde para que promovam, em parceria com as secretarias de educação, a vacinação em escolas públicas e privadas. Para orientar esta mobilização, já foi distribuído informe técnico aos estados e municípios e, em fevereiro, inicia a capacitação a distância aos profissionais de saúde e professores. Também está previsto reforço nas escolas sobre a importância da vacina para adolescentes, pais e professores, com distribuição do Guia Prático sobre HPV.

De acordo com o Ministério, a vacina contra HPV tem eficácia comprovada para proteger mulheres que ainda não iniciaram a vida sexual e, por isso, não tiveram nenhum contato com o vírus. Hoje, é utilizada como estratégia de saúde pública em 51 países, por meio de programas nacionais de imunização.

O vírus

São mais de 100 variações do vírus HPV. Dentre os mais perigosos estão os tipos 16 e 18, responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo do útero. Além do ato sexual, o HPV pode ser transmitido através do toque com uma região afetada. Por isso, médicos e cientistas destacam as medidas de prevenção no combate à doença, como o uso de preservativos em todas as relações sexuais. Entretanto, a camisinha não oferece proteção completa. Por isso, outro recurso fortemente defendido por especialistas é o Papanicolau, exame capaz detectar alterações cervicais ou células anormais antes que evoluam para um quadro cancerígeno. Há, ainda, um teste de HPV, que identifica a presença do agente por meio de uma análise molecular.

O HPV não é uma ameaça apenas para o sexo feminino. “Estima-se que 60% dos homens com idade entre 18 e 70 anos tenham HPV no pênis, indo desde uma pequena verruga na região a uma contaminação em todo o órgão”, alerta Luisa Lina Villa, diretora do Instituto Ludwing de Pesquisa sobre o Câncer. O tratamento pode ser bastante doloroso, realizado através de corte, congelamento ou queima da região afetada.

(Diário do Pará)

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