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Hanseniano vai ao MPF para conseguir apoio

Após diversas tentativas em contatar a junta médica especializada no tratamento fora de domicílio (TFD) para a hanseníase, o mestre de obras Moacir Martins, de 60 anos, resolveu acionar o Ministério Público Federal (MPF) para ter seus direitos garantidos,

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Após diversas tentativas em contatar a junta médica especializada no tratamento fora de domicílio (TFD) para a hanseníase, o mestre de obras Moacir Martins, de 60 anos, resolveu acionar o Ministério Público Federal (MPF) para ter seus direitos garantidos, além do reembolso de suas despesas com o tratamento.

Em 2006, ele iniciou os primeiros exames para o diagnóstico da doença, já que nunca apresentou nenhum sintoma, mas só um ano depois obteve o resultado positivo para o tipo mais grave da doença, a forma “Virchoviana”, tendo como principal característica a perda da sensibilidade da área afetada.

Moacir Martins iniciou o tratamento em dois grandes hospitais de referência no combate à hanseníase, um localizado em Bauru, o Instituto Lauro Sousa Lima, e um hospital da rede Sarah, em Salvador. De acordo com uma lei federal, são disponibilizados gratuitamente tratamentos para a doença, mas os casos que deixam sequelas são desconsiderados pela lei. “Encaminhei documentação para a Presidência da República. Se não tiver dinheiro para a passagem, vou contatar diretamente o MPF e entrar com uma ação civil pública para chamar a atenção da sociedade a fim de que as pessoas tenham acesso às informações sobre a gravidade da doença”, disse.

“O cartão de crédito está esgotado e eles não me reembolsam. Só com remédios, gasto mensalmente de R$ 800 a R$ 1.200. Eu pago três diárias de hotel quando levo minha esposa. O valor que é emprestado não cobre nem as despesas. Eu tenho tudo documentado. Como o TFD tem ligação federal, resolvi fazer uma representação no Ministério da Saúde, até porque eu estou indo e não sei como vamos nos sustentar. Eles reembolsam o dinheiro da passagem três ou quatro meses depois. Até agora não reembolsaram o dinheiro da última viagem que eu fiz, em novembro”, disse Martins.

De acordo com Martins, o tratamento é de graça, mas a hanseníase deixa muitas sequelas e isso é desconsiderado. “Tenho sequelas nos quatro membros, não tenho força nas mãos e esses remédios para combate das sequelas são caríssimos. Tenho neurite. Estou impossibilitado de trabalhar e com benefício suspenso pela previdência social. Estou na justiça contra a previdência”, comentou.

Velho mal

A hanseníase, uma das doenças mais negligenciadas pelo poder público, é uma doença milenar. É infecciosa, crônica, possui alto poder incapacitante, atingindo principalmente as pessoas em faixa etária economicamente ativa, comprometendo seu desenvolvimento profissional ou social. Atualmente, a hanseníase tem tratamento e cura.

Dados de 2010 do Ministério da Saúde mostram que o Pará ocupa a 5ª posição no ranking sobre novos casos de hanseníase por estado no Brasil, o que gerou um índice de 46,93% naquele ano. Em 2011, a taxa atingida pela região Norte foi de 670 novos casos, ficando atrás somente da região Nordeste, com 1.166. No Brasil, cerca de 47 mil casos novos são detectados a cada ano, sendo 8% deles em menores de 15 anos.

O Pará é um dos lugares com maior número de hansenianos no mundo, segundo estudos liderados pelo doutorando em doenças tropicais professor Josafá Barreto. Uma amostra desse trabalho rendeu ao pesquisador prêmio Jovem Cientista pela melhor apresentação oral durante o 18º Congresso Internacional de Hanseníase realizado em Bruxelas. Segundo Josafá, há atualmente em solo paraense pelo menos 80 mil pessoas doentes, grande parte sem diagnóstico - cerca de 6% da população de 7,3 milhões de habitantes, embora a Organização Mundial da Saúde considere aceitável menos de 1% para cada grupo de 10 mil pessoas.

Hoje, 27 mil pessoas estão em tratamento no Estado. No Pará, o Centro de Referência em Dermatologia Sanitária do Município de Marituba Marcelo Cândia registrou cerca 329 novos casos da doença. Só naquele município, cerca de 55 casos foram registrados, ficando atrás de Ananindeua, com 91, e Belém, com 109.

No Brasil, foi estabelecida meta para até 2015 reduzir a hanseníase como problema de saúde pública e aumentar os índices de cura, que hoje são de 80%.

(Diário do Pará)

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