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Mercado de São Brás está sem manutenção

Desde maio do ano passado, quando houve uma forte tempestade, parte da cúpula de vidro do Mercado de São Brás foi quebrada ou arrancada pelo vento. “Está chovendo muito aqui dentro, enche de água pelo chão, como fica aberto, ainda entra carapanã, bichos”,

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Desde maio do ano passado, quando houve uma forte tempestade, parte da cúpula de vidro do Mercado de São Brás foi quebrada ou arrancada pelo vento. “Está chovendo muito aqui dentro, enche de água pelo chão, como fica aberto, ainda entra carapanã, bichos”, diz a comerciante Rosana Martins. Além do prejuízo causado aos feirantes que perdem mercadorias e fregueses no local, outro problema grave vem tomando espaço a cada dia: a degradação do patrimônio histórico.

O Mercado de São Brás é uma construção histórica, apesar de encontrar-se distante do centro arquitetônico de Belém, pois foi erguido durante a época áurea do ciclo da borracha, contando uma parte importante da nossa memória cultural. Sua construção foi iniciada no dia 1º de maio de 1910 e foi concluída em 21 de maio de 1911. Através dele se conta a história da Ferrovia Belém-Bragança, cujo ponto final era em São Brás, com muitas pessoas embarcando e desembarcando, a área se tornou propicia para o comércio de produtos.

Criado pelo arquiteto italiano Filinto Santoro, a estrutura é constituída de ferro, com elementos do ‘art nouveau’ e do neoclássico, com detalhes esculpidos em ferro e dezenas de azulejos decorativos. Uma pena toda essa beleza estar fadada ao mal cuidado. Logo na entrada, é difícil não deparar-se com paredes cobertas por limo e rachaduras, com ervas daninhas crescendo entre elas e o telhado. “Não podemos nem mesmo desentupir as calhas, pois não temos equipamento para chegar tão alto e isso fica acumulando sujeira e provocando mais infiltrações. Não somos autorizados a mexer em nada quando quebra uma vidraça ou algo assim”, diz Rosana Martins.

O Mercado de São Brás funciona das sete da manhã até às seis da tarde, mas é difícil receber visitas turísticas em determinados horários. “Quando começa a chover é mais dentro do que fora, fica cheio de gatos (não tem controle pra isso), fica tudo sujo, alagado. Até a limpeza que era feita por uma cooperativa, não fazem mais. Nós mesmos temos que limpar, mas ainda tem aqueles feirantes que não estão nem aí e deixam tudo sujo. A única coisa que a cooperativa que fazia limpeza ainda mantém são os banheiros, mas passaram a cobrar pelo uso. Agora a gente tem que pagar por um banheiro que deveria ser público”, afirma Armando Souza, também comerciante.

O cenário descrito pelos feirantes é constatado logo na entrada e não parece mesmo ser muito propício para o turismo. Para admirar, só se for do lado de fora. “Aqui de fora parece muito bonito, disseram que houve uma restauração recente em que fizeram uma nova pintura, mas lá dentro é um pouco triste. As escadinhas seriam ótimas pra subir e ver ele de cima, mas estão enferrujadas, o chão está escorregadio e notei muita sujeira em algumas partes. É realmente uma pena, pois é muito bonito o prédio”, declara Sandra Almeida, que veio de Bragança passar o fim de semana em Belém.

O historiador Kleber Pinheiro explica que “O mercado de São Brás foi criado pra auxiliar o mercado do Ver-o-Peso, que até aquele momento, era o único entreposto comercial em Belém”, e que seu valor histórico diante disso é tão inestimável quanto o do Ver-o-Peso, sendo ainda um símbolo do auge da Era da Borracha na Amazônia. “A importância de mantê-lo preservado também está no fato de que foi uma das várias obras do período de Antônio Lemos e ainda agrega valor como espaço cultural e registro histórico para a cidade de Belém”. A existência de olhos atentos para sua conservação, segundo ele, deve ser permanente.

Maquiagem não esconde problemas

A Secretaria Municipal de Economia (Secon) é, segundo os feirantes, o órgão ao qual recorrem quando surgem problemas como os relatados na reportagem no Mercado de São Brás. “O problema é que demora muito. Para essa parte de vidro do telhado, só em janeiro deste ano que vieram fazer o orçamento e, até agora, nada de reforma. Quando fizeram reforma aqui no ano passado foi só pelo lado de fora, aqui dentro é vidraça quebrada, infiltração, sujeira, as paredes quebrando”, diz a comerciante Rosana Martins. Ao ser procurada, a assessoria da Secon informou que estava impossibilitada de emitir nota sobre o assunto.

No local considerado como o “Complexo do Mercado de São Brás”, onde além do mercado em si, funciona também a feira de frutas e peixes, restaurantes e a venda de pratos típicos, fica o quiosque da administração do prédio. O responsável é Ylson Ribeiro, que atua como um intermediário entre feirantes e a Secon. “Tudo o que chega de demanda eu vou passando para a Secon e a gente vai resolvendo”, afirma.

Sobre o restauro da cúpula de vidro, Ylson Ribeiro diz que uma empresa ganhou a licitação para o restauro e que logo ela deverá iniciar o trabalho, mas não soube dar prazos.

(Diário do Pará)

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