Mamas endurecidas, infecção e abscessos mamários. Essas características do processo avesso da amamentação chamou a atenção de uma nutricionista da Faculdade de Nutrição da Universidade Federal do Pará (UFPA), Luisa Margareth Araújo Carneiro, vinculada à Santa Casa de Misericórdia do Pará. A profissional estudou as causas que levaram a esse quadro negativo da maternidade.
O estudo contou com a participação das pesquisadoras Cynara Gonçalves, Mara Lucina Amaral e a estudante de nutrição Lívia Dickson. O projeto intitulado “Problemas de Mama em uma Maternidade de Referência de Belém” estudou o comportamento de mulheres internadas, durante o período de três meses.
A pesquisadora constatou que o número de leitos ocupados por pacientes com problemas mamários poderiam ser menor caso as pacientes tivessem informações esclarecedoras durante o período de pré-natal e estendidas até o pós-parto.
O estudo pretende fortalecer as bases do Programa de Apoio ao Aleitamento Materno Exclusivo (Proame), que funciona nas unidades de saúde, com o acompanhamento de uma rede de profissionais da saúde como médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, entre outros.
De acordo com Luisa Carneiro, o programa deve ter um papel fundamental na prevenção da doença. “Quando não é feita uma ‘boa pega’ da mama, o leite materno empedra, causando a mastite, uma inflamação dos seios que, se não for tratada com antibióticos, pode levar a um abscesso mamário, parecido com um tumor”, explica. “ O processo infeccioso finaliza com a limpeza cirúrgica no hospital”. A situação não aconteceria se a parturiente tivesse orientação adequada antes do nascimento da criança.
Mastite
“Muitas mães internadas na Santa Casa são adolescentes e não sabem o manejo adequado na amamentação. Cerca de 50% das entrevistadas sofriam com mastites e pelo menos 45% delas percebiam o ingurgitamento mamário (seios empedrados). Por isso é imprescindível o aprendizado, pois, quando os problemas da mama não são tratados adequadamente, podem levar ao desmame precoce. A maioria dos problemas pode ser prevenida com o esvaziamento adequado das mamas”, explica a pesquisadora.
As mulheres que passam por essas dificuldades devem procurar o serviço de saúde no bairro onde moram. “A mãe deve se encaminhar a um posto de saúde próximo de sua casa e ser orientada pelo Programa Saúde da Família.
A técnica administrativa Mônica Saldanha, 38, teve uma experiência dolorosa no início da amamentação. “Minha filha sugava muito o peito e, depois de um dia, as mamas começaram a encher demais e o leite ‘empedrou’. Tive que acionar o serviço de banco de leite da Santa Casa e, com as orientações, pude continuar a amamentar normalmente. Hoje ela tem sete meses, é forte e saudável”, disse.
Banco de Leite
O Banco de Leite Humano da Santa Casa foi criado em 1987 e é o maior dos três existentes no Pará. É um centro especializado, responsável pela promoção do incentivo ao aleitamento materno e execução das atividades de coleta, processamento, controle de qualidade e distribuição do excedente de leite humano das mães doadoras para recém-nascidos que não podem mamar no seio materno.
Serviço
Para falar com o Banco de Leite ou com o Bombeiros da Vida, ligue para: 4009-2311 (24 horas), 4009-2212, 4009-2318 ou 0800-727-2057.
(Diário do Pará)
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