O deputado federal Asdrubal Bentes passou, na última quarta-feira, 12, por uma situação semelhante ao clássico da literatura americana “A escolha de Sofia”. Presente à Câmara dos Deputados, já tinha formada a convicção de que não votaria pela cassação do ex-deputado Natan Donadon. Preferiu ir ao Plenário e se abster de votar em vez de simplesmente faltar a uma das mais tensas sessões do Congresso Nacional.
Favorável ao voto aberto, Asdrubal Bentes foi o único dos 468 votantes que registrou “abstenção” em seu voto eletrônico. Foi uma sessão histórica. Pela primeira vez na história política do Brasil, a Câmara dos Deputados cassou um dos seus pares por voto aberto.
Coerente, Asdrubal Bentes explicou que não seria ético faltar deliberadamente à sessão, assim como, segundo ele, tampouco seria ético condenar alguém que está na mesma situação em que ele se encontra. “Eu estou respondendo a um processo criminal. Então, não me senti à vontade, na condição de condenado, para condenar alguém. É uma questão ética”, confirmou.
Asdrúbal Bentes foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal pela acusação de ter feito supostas laqueaduras em mulheres em troca de votos. “Entrei com embargos infringentes, embargos de declaração, mas, infelizmente, o STF rejeitou todos os meus recursos. A lei do STF é diferente para políticos, mesmo que estes sejam comprovadamente inocentes”, alertou Bentes.
Ele aguarda a publicação da confirmação das condenações para saber como agir. Ele diz que é inocente. “As mulheres disseram que não fizeram isso, foram lá, prestaram depoimento. Mesmo assim, o Supremo Tribunal Federal não considerou a minha defesa. Usaram a teoria do domínio do fato para me condenar, uma coisa ultrapassada e que não se usa mais na escrita do direito internacional”, denunciou.
Ele foi condenado a 3 anos, 1 mês e 10 dias de prisão por proporcionar cirurgias de esterilização em mulheres em desacordo com a Lei do Planejamento Familiar. Fora esta, não há nenhuma outra acusação contra Asdrubal Bentes, que exerce seu sexto mandato como deputado federal representando o Pará, ou seja, com 24 anos de trabalho à frente do Parlamento brasileiro, com inúmeros trabalhos aprovados ao longo destes anos. Na última eleição, Bentes obteve mais de 80 mil votos dos paraenses.
Por ter ido ao Plenário e ter assumido sua posição, Asdrubal Bentes foi condenado também – além do STF – pela mídia nacional.
(Diário do Pará)
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