Por telefone, o Distrito Sanitário Indígena que atende Marabá informou que enviará representantes ao município na próxima segunda-feira (17), para verificar a situação da unidade da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) local, que está ocupada por índios de nove etnias, em protesto pela precariedade do órgão. A manifestação começou ainda na quarta-feira e nenhuma providência foi tomada até agora.
Os manifestantes cobram melhorias de infraestrutura na saúde, que inclui médicos, medicamentos, enfermeiros, equipamentos e também veículos, já que no local há oito veículos quebrados, entre eles uma ambulância.
A casa, localizada na Folha 32, bairro nobre da Nova Marabá, tem apenas quatro cômodos para atender indígenas de 14 tribos. Os alojamentos têm capacidade para 30 pessoas, mas ultimamente a demanda é bem maior.
A situação é delicada, os banheiros não têm a devida higiene, há buracos no teto, redes em vez de macas e camas improvisadas. “Até agora nenhuma autoridade compareceu aqui. Só tem promessa”, desabafa Helton Suruí, um dos líderes do protesto.
Segundo ele, os problemas ficaram mais evidentes quando vários índios adoeceram e precisaram de transporte. Foi aí que constataram que a ambulância estava quebrada. Entre os casos que revoltam os indígenas está a situação de uma jovem que acabou de ter filho e precisou ficar na rede, porque não há cama para todos.
“A gente vai dar um alerta: estamos resolvendo a questão da saúde, mas vamos partir para a Funai também. Esse movimento foi criado para isso, para resolver a causa indígena, não importa se for saúde, educação, moradia, território, vai ser tudo resolvido; agora que a gente está tentando resolver a saúde, que é prioridade. Mas depois a gente vai brigar com todos os órgãos que são contra o índio”, afirma Suruí.
Helton Suruí criticou a postura dos representantes do Distrito Sanitário, que só estarão em Marabá na segunda-feira, deixando os indígenas o fim de semana inteiro à espera de uma resposta. “Tem avião todo dia de Belém para Marabá”,
alfinetou.
(Diário do Pará)
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