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Ministro fala sobre novas tecnologias no Pará

O ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Marco Antonio Raupp, esteve em Belém na semana passada para participar da implantação do projeto Redes Comunitárias de Educação e Pesquisa (Redecomep) no interior do Pará, nos municípios de Santarém, Ca

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O ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Marco Antonio Raupp, esteve em Belém na semana passada para participar da implantação do projeto Redes Comunitárias de Educação e Pesquisa (Redecomep) no interior do Pará, nos municípios de Santarém, Castanhal, Marabá e Altamira. A rede, aqui, será gerida por um consórcio formado pela Universidade Federal do Pará (UFPA), em Castanhal e Altamira; pela Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), em Santarém; e pela Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA), em Marabá, em todos os municípios.

Raupp tem 75 anos e desde 2012 é um dos homens fortes do Governo Dilma. Formado em Matemática, é especialista em Matemática aplicada na Ciência e Engenharia, com doutorado em Matemática pela Universidade de Chicago. Foi diretor do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), além de presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), diretor geral do Parque Tecnológico de São José dos Campos e presidente da Agência Espacial Brasileira.

Nesta entrevista cedida ao DIÁRIO antes da palestra de lançamento das redes no Pará, ele fala sobre como funciona o sistema integrado entre as instituições científicas e sobre projetos que devem diminuir a distância na região amazônica quando assunto é a pesquisa e difusão do conhecimento, como o plano de desenvolvimento científico específico para a região.

P: O que é a Redecomep e como ela vem sendo trabalhada na nossa região?.
R: A Redecomep são sub-redes da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa [RNP], uma rede nacional que é, vamos dizer assim, patrocinada pelo Ministério de Ciência e Tecnologia e pelo Ministério da Educação e tem uma organização que é supervisionada pelo MCTI, que cuida dela, que é a RNP. É uma organização social que tem um contrato de gestão com o MCTI. Com recursos do MEC e do MCTI, a gente mantém esse Backbone aí [traduzido de “espinha dorsal”, é uma rede principal de servidor por onde passam os dados dos clientes da internet e é formada por redes menores para o envio e recebimento de dados]. Esse backbone principal é de 10 gigabytes por segundo de velocidade e quando chega nas grandes capitais, essa rede faz associações com governos do Estado e governos municipais para que nós tenhamos nestas cidades como ampliar o alcance dessa rede. Em Belém, isso já foi feito em 2004, se não me engano, ou 2005: a Metrobel. Que, aliás, foi a primeira das redes metropolitanas a se associarem à RNP. Para você ver como a RNP chega aqui nos chamados pontos de presença, no caso as universidades do Pará. Essas redes saem dos pontos de presença e conectam todos os usuários, que são principalmente instituições de pesquisa, instituições educacionais e organizações do governo.

P: E como o Pará é beneficiado com a expansão dessas redes?
R: O Pará é um dos estados que se desenvolvem bastante para o interior. Eu sou um cara com uma certa idade, não? [risos]. Conheço essas coisas de muito tempo. Antigamente, a coisa era muito concentrada aqui em Belém. Mas, se você olhar o desenvolvimento do Estado nos últimos anos, vai notar que cada vez aumenta mais a potência no interior. Cidades como Santarém, Marabá, Altamira, etc, que são muito pujantes economicamente. Então, tudo está indo para o interior. As universidades seguiram esse caminho também. Os sistemas de universidades federais, não só em criação de campi da Universidade Federal do Pará, teve também a criação de novas universidades federais, que se estabeleceram no interior, então nós temos que chegar lá. E como chegamos? Em rede, nesses pontos de presença, como esse da UFPA, a gente se comunica com essas cidades, com essas universidades e elas se expandem em uma rede local. É um projeto sob supervisão do ministério, que entendemos ser fundamental para o desenvolvimento das pesquisas no país, a interconexão entre as instituições de pesquisa e, agora, entre os órgãos governamentais.
Aqui na Amazônia é fundamental desenvolvermos tecnologias para irmos mais fundo ainda, em termos de região. Em Belém, o padrão de conexão que conseguimos é bastante razóavel, compatível com o padrão da rede no país todo. Em certas regiões, vamos dizer assim, mais profundas, em regiões mais remotas do Amazonas, nós ainda não conseguimos fornecer o serviço de comunicação de dados na velocidade que a gente pretende. Melhoramos bastante, pois finalmente conseguimos atravessar o rio Amazonas, de um lado para outro e chegamos a Manaus. A rede chega a um gigabyte por segundo, e não era assim antigamente. Nós temos grandes planos. A RNP desenvolve tecnologias para se expandir na Amazônia. É um trabalho elogiável de inovação tecnológica. Eles estão, por exemplo, desenvolvendo tecnologias, em parceria com empresas brasileiras de produtos tecnológicos, de lançar cabos subfluvial para seguir o rio. Se você quer atingir comunidades amazônicas, você tem que ir pelo rio. À exceção do Pará, que já se desenvolveu para o interior. Mas, em outros estados, as cidades ainda estão nas beiras dos rios, em populações ribeirinhas. Se você tiver a capacidade tecnológica de lançar esses cabos, você pode ter um ganho substancial. Eu estava conversando com o presidente da RNP e ele me disse que já existiu um cabo subfluvial de Belém até Manaus, na época do telégrafo, das comunicações telegráficas, e parou. Então, isso é algo que temos que desenvolver novamente. Vai ser uma tecnologia nacional. É uma empresa nacional que está envolvida nisso. Estou te falando isso para mostrar que temos interesse em dar ampla cobertura nesse serviço de comunicação de dados para a região amazônica como um todo. Nós temos grandes planos para a Amazônia como um todo.

P: Como a tecnologia e a pesquisa influenciam no desenvolvimento sustentável para a região?
R: Nós defendemos que o desenvolvimento sustentável da Amazônia só pode se dar com conhecimento científico sobre as águas, sobre a biodiversidade, sobre clima. Um entendimento sobre como funciona o sistema amazônico para que a gente desenvolva atividades econômicas usando esses recursos naturais sem destruí-los, que é a concepção do desenvolvimento sustentável. O povo precisa de atividade econômica para ter sustentação de vida, de ter ganhos como cidadãos. Essa utilização dos recursos naturais sustentavelmente é um grande desafio para a ciência no país. A nossa política é de estimular a pesquisa na Amazônia. Depois de um estudo com as secretarias de ciência e tecnologia na região, nós chegamos finalmente a uma proposta, que estamos para lançar, de um plano integrado de ciência e tecnologia para toda a região amazônica. Mas precisa de infraestrutura, e é isso que estamos fazendo: infraestrutura para desenvolver.

P: Esse planejamento é a curto prazo?
R: Essas redes são redes de comunicação de dados, mas elas têm também que prover aos usuários da rede, não só serviço de comunicação, mas serviço de armazenamento de dados, datacenters, como se fala em inglês. Ou serviço de processamento desses dados em alta velocidade. Estamos fazendo isso para que tenhamos um sistema completo. Um sistema de comunicação, com capacidade de armazenar e processar esses dados. Tudo isso é um serviço disponibilizado para os usuários da rede. Instalaremos em Manaus, daqui a um mês, um grande datacenter lá. Vai ser um datacenter nacional, a partir de Manaus. Tem outro também em Recife. Outra capacidade se desenvolvendo na rede é a capacidade de processamento. Nós já temos no Brasil um sistema nacional de Processamento de Alto Desempenho, capitaneado pelo Laboratório Nacional de Computação Cientifica. Que você, através da RNP, pode utilizar. Tendo uma rede dessa funcionando à plena capacidade, você não precisa ter computador em casa, nas repartições. Basta ter um terminal que você pluga na rede e pode usar toda a infraestrutura dele. Esse é o rumo do planejamento dessa rede.
A Copa do Mundo vai nos permitir justificar e ampliar as velocidades do Backbone de fibra ótica, que chega aqui em Belém. Nós estamos planejando para pular de 10 para 100 gigabytes de velocidade durante a Copa do Mundo. Isso vai aumentando em função da demanda.

(Diário do Pará)

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