Ainda que o aparelho de celular esteja ligado e devidamente funcionando, na primeira tentativa de contato a mensagem ouvida é a de que a linha se encontra fora de área. Cliente da mesma operadora há mais de 15 anos, o empresário Gian Franco Barbosa já perdeu as contas de quantas pessoas, em determinados momentos, não obtiveram sucesso ao tentar ligar para o seu número. “Isso é comum, acontece muito”.
Sem que a dificuldade seja exclusiva da operadora da qual Gian Franco é cliente, a TIM, problemas envolvendo a telefonia móvel e fixa são percebidos em quatro das grandes operadoras que atuam no Brasil. No último ranking divulgado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), referente ao período de janeiro a novembro de 2013, as reclamações contra cada operadora, individualmente ,superaram o patamar de 200 e até de 300 mil reclamações.
Campeã do ranking no que diz respeito à telefonia móvel, segundo o Índice de Desempenho no Atendimento (IDA), a Oi registrou 353.307 reclamações em todo o Brasil, ficando na frente da Claro, TIM e da Vivo, em último lugar com 278.114 reclamações, totalizando 631.421 reclamações em 2013.
Detentor de linhas de operadoras diferentes, Gian Franco nem recorda quando os problemas mais comuns começaram a aparecer. “A minha linha da TIM cai bastante. A gente está em uma ligação e, de repente, a ligação cai. Isso acontece muito”, afirma. “Eu ainda mantenho a linha porque tem muita gente que tem celular dessa operadora, então, preciso. Mas de vez em quando também acontece de ficar fora do ar e na hora em que a gente precisa do telefone, não consegue usar. Há muito tempo tem esses problemas, sempre foi assim”.
Do total de reclamações recebidas pela Anatel a respeito de todas as operadoras, a qualidade do serviço aparece em terceiro lugar dentre os principais motivos de reclamações, com 20,8% do total. Somente no que se refere à telefonia móvel, o principal motivo de reclamação foi a cobrança, com 40,9%. A qualidade, neste caso, ficou em quarto lugar, com 6,1%.
CPI
Motivos de intervenções recorrentes da Anatel, os problemas enfrentados por usuários de telefonia móvel e fixa são alvo atualmente de averiguações em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada ainda em novembro de 2013 na Assembleia Legislativa do Estado do Pará (AL). Reunida pela primeira vez na última quarta-feira, a CPI pretende desenvolver, segundo publicação do site da AL, ações como a recolhida de reclamações e denúncias populares sobre telefonia, além de audiências públicas e oitivas individuais com a Anatel e as operadoras Oi, Vivo, Tim e Claro.
RECLAMAÇÕES
Ainda que as reclamações contra as operadoras de telefonia possam ser feitas através dos órgãos de proteção e defesa do consumidor decada Estado, esse direito também é possível através da própria Anatel. Segundo a agência, o órgão auxilia a interação dos consumidores com as operadoras exigindo que as empresas respondam no prazo de até cinco dias úteis.
JUSTIFICATIVAS
Em nota, “a Oi informa que investiu em 2013 mais de R$ 150 milhões no Pará. Os recursos tiveram como foco o tripé Operações, Engenharia e TI, movimento de melhorias estruturais para assegurar eficiência operacional e melhoria da qualidade do serviço prestado aos clientes.”
A Telefônica Vivo informa que tem como prioridade oferecer serviços e atendimento de qualidade aos seus clientes em todo o Brasil. A maior parte dos investimentos – R$ 24,3 bilhões entre 2011 e 2014 – destina-se principalmente para as áreas de rede, comercial e sistemas, elementos vitais para oferecer qualidade em telefonia e internet.
Já a TIM diz que “de janeiro a novembro de 2013, a TIM foi a segunda menos reclamada na Anatel entre as quatro maiores do setor de telefonia móvel. Vale ressaltar que a empresa reduziu em 18% as queixas relativas à rede, em comparação ao primeiro trimestre de 2013, mesmo apresentando crescimento significativo da base de clientes no período. O resultado é fruto do compromisso da companhia com a qualidade dos seus serviços e a transparência no relacionamento com o cliente.
(Diário do Pará)
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