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Quase seis mil táxis rodam em Belém

Diante da morte do marido, Maria Lúcia Lacorte se viu obrigada a assumir a profissão que sustentava toda a família. Já com carteira de habilitação e a principal ferramenta de trabalho herdada do marido, ela abraçou o ofício que exerce até hoje, já aos 60

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Diante da morte do marido, Maria Lúcia Lacorte se viu obrigada a assumir a profissão que sustentava toda a família. Já com carteira de habilitação e a principal ferramenta de trabalho herdada do marido, ela abraçou o ofício que exerce até hoje, já aos 60 anos, como taxista. “Tive que ir à luta”.

Devidamente regularizada na profissão, Maria Lúcia é apenas uma dos cerca de seis mil taxistas que circulam por Belém diariamente, segundo estimativas do Sindicato dos Taxistas do Município de Belém, Estado do Pará (Stabepa). Ainda que a quantidade de táxis regularizados não permita, atualmente, a emissão de novas placas, para o sindicato, a oferta registrada, hoje, é superior à demanda da capital paraense. “Belém necessitava de, aproximadamente, de 2.780 a 3 mil táxis e hoje temos quase seis mil. Só isso já diz que a oferta é maior que a procura”, informa Alain Santos, presidente do Stabepa, ao apontar que a concorrência gera a necessidade de muitos profissionais se organizem em associações e cooperativas. “Isso gera a necessidade do taxista procurar se organizar para dar mais segurança ao passageiro e conquistar a confiança da população”.

Com o registro aproximado de mais de 200 cooperativas de táxi, os valores pagos para que se adquira a participação em uma cooperativa pelo taxista pode chegar a R$20 ou R$30 mil. Preocupado em explicar que o valor é definido por quem tem o interesse de transferir o direito, Alain vê esse desembolso como um investimento por parte do profissional. “A maior parte das pessoas já entende que esse ‘custo’ é, na verdade, um investimento. O taxista está comprando uma ação de alguém que já fez um investimento ali”, acredita. “Se tem custo com a sede, com funcionários, com os pagamentos... isso quem arca é o taxista”.

“Dá para sobreviver sendo taxista”

Sem que seja permitido criar novas placas de táxi em Belém hoje, o presidente explica que só é possível comprar ou transferir uma placa já existente de outra pessoa, como no caso de Maria Lúcia. Diante de tanta concorrência, a taxista que trabalha em um ponto de apenas duas vagas alerta para a necessidade de conquistar cada vez mais os clientes.

“A concorrência é pesada, mas a gente consegue conquistar os clientes aos poucos. Tem que fazer melhorias no carro, tem que ter respeito pelo passageiro. Se o carro não tiver ar condicionado, reclamam logo”, enumera, ao relevar que os custos para se manter na profissão vão muito além disso. “Tem que renovar o selo do taxímetro e fazer uma vistoria no Detran (Departamento de Trânsito do Estado do Pará) e na CTBel (atual Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém – Semob). Tem bastante custo, mas dá para sobreviver bem como taxista”.

Como explica o próprio presidente do Stabepa, Alain Santos, independente da transferência do táxi para outra pessoa da família, é obrigatório que o taxista se credencie e porte um crachá de identificação para a atuação na profissão. “O crachá é regido por lei e não pode ser usado por outra pessoa. Se a fiscalização pegar um taxista que esteja com o crachá de outro taxista, a pessoa pode até ter a placa cassada. O taxista não pode entregar o táxi para qualquer pessoa”, alerta Alain. “Quem credencia o taxista é o sindicato e é preciso que a pessoa apresente uma série de documentos para isso. Tem ainda que fazer um treinamento de 40h que dá noções de primeiros socorros, segurança, de como lidar com o passageiro...”.

Com o crachá sempre em dia e o ponto devidamente regularizado, a taxista Maria Lúcia comenta que nem sempre identifica a presença da fiscalização. “O crachá tem que ter, mas a CTBel (atual Semob) nem fiscaliza muito isso, quem exige mais é o sindicato mesmo”.

(Diário do Pará)

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